Fitologia / Dezembro 2002

CIpreste

NOME EM LATIM: Cupressus sempervirens L.
FAMÍLIA: Cupressáceas
OUTROS NOMES: Cipreste-dos-cemitérios

HABITAT: Originário da Ásia Menor, hoje encontrado em toda a Europa e naturalizado na América, onde existem algumas variedades.

DESCRIÇÃO: Árvore que atinge 20-25 m de altura. Os seus frutos, chamados gálbulos, apresentam uma forma poliédrica e são de cor verde acinzentada.

REFERÊNCIAS HISTÓRICAS: O cipreste é uma árvore quase tenebrosa. Firme e solene às portas de um cemitério, apontando para o céu com a sua copa e para as tumbas com a sua alongada sombra, parece querer lembrar aos seres humanos o trágico destino que nos espera nesta terra. É a árvore que melhor simboliza a morte.
Mas, ao mesmo tempo, é sinal de vida e de saúde para tantos que sofrem de doenças do aparelho respiratório e do aparelho circulatório.
Já na antiga Grécia se mandavam os doentes do peito para os bosques de ciprestes, para recuperarem a saúde respirando o seu ar impregnado de essências balsâmicas. Hipócrates e Galeno recomendavam-no como planta medicinal. Desde então tem vindo a ser utilizado com êxito, durante mais de dois mil anos, como árvore curativa.
No estado mexicano de Oaxaca, encontra-se o célebre cipreste de Moctezuma ou do Tule, de 50 m de altura e 14 m de diâmetro no tronco, que pertence a uma espécie muito próxima do cipreste comum. Atribui-se-lhe uma idade de 4000 ou 5000 anos. Os antigos Astecas já empregavam os frutos do cipreste (os gálbulos) para evitar os cabelos brancos e conservar a cor primitiva do cabelo.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Na madeira do cipreste, nos seus ramos tenros, e especialmente nos frutos, encontra-se entre 0,2% a 1,2% de essência de cipreste, composta de vários hidrocarbonetos, assim como tanino e diversas substâncias aromáticas. Esta árvore tem as seguintes propriedades:

- Tónico venoso potente: Tem uma acção tão intensa como a hamamélia, uma das plantas mais activas sobre o sistema circulatório que se conhecem. O uso do cipreste é indicado para combater as varizes, as úlceras varicosas e as hemorróidas, tanto em uso interno (1,2) como em aplicação local externa (3,5).

- Vasoconstritor (contrai os vasos sanguíneos). Torna-se especialmente recomendável durante a menopausa, para deter as frequentes metrorragias (hemorragias uterinas) devidas à congestão do útero, como consequência do desequilíbrio hormonal próprio dessa etapa da vida feminina.

- Tónico vesical: Aumenta a tonicidade da bexiga, e permite um melhor controlo do sistema nervoso vegetativo sobre a musculatura deste órgão. Em uso interno (1,2) ou em banhos de assento (3), é indicado nos casos de incontinência urinária diurna, ou nocturna durante o sono (enurese), e no síndroma prostático (dificuldade na micção devido a um aumento do tamanho da próstata).

- Adstringente, devido aos taninos que possui (1). Usa-se em caso de colite ou diarreia.

- Sudorífico, diurético e febrífugo (faz baixar a febre). De grande utilidade nos catarros bronquiais, bronquites, constipações e gripes (1,4). A essência de cipreste tem, além disso, acção balsâmica, antitússica e expectorante (2).

PARTES UTILIZADAS: Os frutos verdes (gálbulos) e a madeira.

USO INTERNO
1 - Decocção: 20-30 g de frutos de cipreste verdes, esmagados, ou igual quantidade da sua madeira, por litro de água. Ferve-se durante 10 minutos e filtra-se. Tomar uma chávena antes de cada refeição (3 por dia).
2 - Essência: Tomam-se de 2 a 4 gotas, três vezes por dia.

USO EXTERNO
3 - Banhos de assento: Para o tratamento das hemorróidas com uma decocção para uso interno, mas com maior concentração de frutos (cerca de 50 g por litro). Tomam-se três banhos por dia, mas com a água já fria. Reduz o tamanho das hemorróidas e alivia o incómodo e a dor que provocam.
4 - Banhos de vapor: Para quem sofra de catarros bronquiais, é altamente benéfico fazer banhos de vapor, acrescentando à água quente alguns frutos de cipreste, ou então umas gotas da sua essência.
5 - Compressas sobre as pernas, com a mesma decocção que para o uso interno.

 

* Roger, Pamplona, A Saúde pelas Plantas Medicinais, Publicadora Atlântico, S.A., 1996

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