Informação 2 / Dezembro 2002

NOVOS HÁBITOS ALIMENTARES E OBESIDADE

Parece que a dieta mediterrânica, a alimentação equilibrada e saudável são conceitos a ficarem cada vez mais fora de moda em Portugal. Os alimentos frescos são cada vez mais esquecidos e, em vez disso, os portugueses optam já hoje, segundo estatísticas recentes, em 70 por cento dos casos, por produtos embalados. Na realidade esta tendência aproxima-nos do que se passa nos países mais desenvolvidos.
Nos Estados Unidos da América, por exemplo, este número atinge já os 90 por cento, sendo também o principal responsável pelo aumento da obesidade.
O alastramento desta situação levou a OMS a classificá-la como epidemia e a designá-la como a “nova síndroma mundial” ou “síndroma do Novo Mundo”, sendo o resultado da globalização da economia e da cultura.
Segundo afirma a Profª. Isabel do Carmo, conhecida endocrinologista, “já não compramos a comida pelas suas qualidades nutritivas, mas sim devido ao seu aspecto, cor e sabor” fazendo com que, segundo diz, “metade da população portuguesa tenha excesso de peso, sendo 12 por cento, mesmo, obesos”.
Um estudo recente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade afirma que 15 por cento das nossas crianças já são obesas, muito por causa da sua escolha de um padrão alimentar tipo americano, com excesso de calorias e pouco equilibrado.
A primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento da obesidade. Segundo o estudo realizado num hospital norte-americano, uma taxa acelerada de aumento de peso já nos primeiros quatro a seis meses de vida poderá levar ao aparecimento de doenças cardiovasculares e a tensão arterial elevada na idade adulta.
A moda jovem de ingerir comida rápida, concentrada, com excesso de proteínas e de gordura animal, de fritos e açúcares é, assim, um perigo em termos alimentares, pelo potencial aumento de obesidade que pode provocar acompanhada do seu cortejo futuro de diabetes, doenças cardiovasculares, osteoporose e cancro em geral, entre outras situações.

*D.N. / S.L.

 

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