NOVOS HÁBITOS ALIMENTARES E OBESIDADE
Parece que a dieta mediterrânica, a alimentação equilibrada e saudável são
conceitos a ficarem cada vez mais fora de moda em Portugal. Os alimentos frescos
são cada vez mais esquecidos e, em vez disso, os portugueses optam já hoje,
segundo estatísticas recentes, em 70 por cento dos casos, por produtos
embalados. Na realidade esta tendência aproxima-nos do que se passa nos países
mais desenvolvidos.
Nos Estados Unidos da América, por exemplo, este número atinge já os 90 por
cento, sendo também o principal responsável pelo aumento da obesidade.
O alastramento desta situação levou a OMS a classificá-la como epidemia e a
designá-la como a “nova síndroma mundial” ou “síndroma do Novo Mundo”, sendo o
resultado da globalização da economia e da cultura.

Segundo afirma a Profª. Isabel do Carmo, conhecida endocrinologista, “já não
compramos a comida pelas suas qualidades nutritivas, mas sim devido ao seu
aspecto, cor e sabor” fazendo com que, segundo diz, “metade da população
portuguesa tenha excesso de peso, sendo 12 por cento, mesmo, obesos”.
Um estudo recente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade afirma que
15 por cento das nossas crianças já são obesas, muito por causa da sua escolha
de um padrão alimentar tipo americano, com excesso de calorias e pouco
equilibrado.
A primeira infância é um período crítico para o desenvolvimento da obesidade.
Segundo o estudo realizado num hospital norte-americano, uma taxa acelerada de
aumento de peso já nos primeiros quatro a seis meses de vida poderá levar ao
aparecimento de doenças cardiovasculares e a tensão arterial elevada na idade
adulta.
A moda jovem de ingerir comida rápida, concentrada, com excesso de proteínas e
de gordura animal, de fritos e açúcares é, assim, um perigo em termos
alimentares, pelo potencial aumento de obesidade que pode provocar acompanhada
do seu cortejo futuro de diabetes, doenças cardiovasculares, osteoporose e
cancro em geral, entre outras situações.
*D.N. / S.L.