Prevenção / Dezembro 2002

A roupa pode fazer-nos adoecer

A relação entre o aumento de produção e a refinação da indústria têxtil, por um lado, e o equivalente crescimento das doenças de pele, por outro, estão à vista.
Num estudo realizado na Universidade da Baviera aproximadamente uma em cada três peças de roupa está carregada de bióxido e furano. E, segundo informações da entidade de defesa dos consumidores da cidade de Bona, uma em cada quatro blusas de seda tem uma considerável quantidade de resíduos venenosos. Sabemos que estes se manifestam na pele e atacam o sistema imunitário bem como o hormonal.
Os vestígios dos resíduos nocivos das peças denunciam as suas origens contaminantes sem a menor dificuldade. Só no terceiro mundo, por exemplo, pulverizaram-se, anualmente, 150 000 toneladas de substâncias protectoras da cultura do algodão – 18% do consumo mundial.
Muitos dos pesticidas que são usados nesses países são proibidos na Alemanha.
Grande parte dessas substâncias químicas são pulverizadas de avião. Metade chega aos campos; o resto alcança os seres humanos, os animais e as plantas dos arredores. E mais, para tornar durável a roupa destinada à exportação, e para sua segurança junta-se, ao preparado, exterminadores de bolores e fungos. Em parte, estes resistem a cada lavagem e a longo prazo.
Mas ainda há mais: em resposta ao desejo dos consumidores, a indústria têxtil providencia fios e matéria-prima com as mais variadas características. Por exemplo: a roupa para as crianças é submetida a um processo para que se torne especialmente suave. Outros tratamentos servem para impedir o ataque da traça, para evitar que a roupa encolha e se amarrote, para melhorar a limpeza geral e para aumentar a capacidade de absorção da água.
Por outro lado, a indústria do vestuário utiliza mais de metade de tintas químicas: 30 000 toneladas só na Alemanha.
Das tintas têxteis, uns 60% das substâncias corantes são absorvidas pelos tecidos; os 40% restantes vão, finalmente, para os esgotos.
Os resíduos venenosos e o fumo industrial são uma carga para o meio ambiente e para as pessoas. O preço para satisfazer as exigências da moda pode ser alto. Tudo está incluído, desde cefaleias massiças e irritações da pele e das mucosas, até doenças alérgicas, como eczemas, bronquites e asma.
Segundo a opinião dos técnicos de tintura têxtil, não há nenhuma alternativa.
As denominadas tintas sólidas ou ao frio, para máquinas de lavar, contêm substâncias alergénicas e não são saudáveis. E, apesar do depósito de resíduos que têm os têxteis, por fim uma boa parte chega ao meio ambiente.

O que deve prestar atenção:

1. É imprescindível que lave sempre com água bem quente e, certamente várias vezes, cada peça de roupa nova antes de a vestir.
2. Use roupa larga que não faça fricção ou roce a sua pele. Use roupa interior de tecidos brancos ou pastel.
3. Depois de bem lavadas, passe a roupa a ferro. Abra as janelas enquanto passa a ferro; o vapor morno pode desprender formaldeído (aldeído fórmico) do tecido.
4. Não faça roupa de vestir de tecidos para cortinas, pois estas têm na sua fabricação e coloração um regulamento muito menos estrito.
5. Faça roupa nova de tecidos usados.
6. Evite os tecidos que exijam limpeza com produtos químicos. Não transporte para a sua casa os alimentos juntamente com roupa que foi limpa quimicamente, e deixe-a arejar pelo menos um dia.
7. Se, ao vestir roupa nova, sentir picadas ou erupção cutânea, consulte um dermatologista.

In Vida Feliz

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