A roupa pode fazer-nos adoecer
A relação entre o aumento de produção e a refinação da indústria têxtil, por
um lado, e o equivalente crescimento das doenças de pele, por outro, estão à
vista.
Num estudo realizado na Universidade da Baviera aproximadamente uma em cada
três peças de roupa está carregada de bióxido e furano. E, segundo
informações da entidade de defesa dos consumidores da cidade de Bona, uma em
cada quatro blusas de seda tem uma considerável quantidade de resíduos
venenosos. Sabemos que estes se manifestam na pele e atacam o sistema
imunitário bem como o hormonal.
Os vestígios dos resíduos nocivos das peças denunciam as suas origens
contaminantes sem a menor dificuldade. Só no terceiro mundo, por exemplo,
pulverizaram-se, anualmente, 150 000 toneladas de substâncias protectoras da
cultura do algodão – 18% do consumo mundial.
Muitos dos pesticidas que são usados nesses países são proibidos na
Alemanha.
Grande parte dessas substâncias químicas são pulverizadas de avião. Metade
chega aos campos; o resto alcança os seres humanos, os animais e as plantas
dos arredores. E mais, para tornar durável a roupa destinada à exportação, e
para sua segurança junta-se, ao preparado, exterminadores de bolores e
fungos. Em parte, estes resistem a cada lavagem e a longo prazo.
Mas ainda há mais: em resposta ao desejo dos consumidores, a indústria
têxtil providencia fios e matéria-prima com as mais variadas
características. Por exemplo: a roupa para as crianças é submetida a um
processo para que se torne especialmente suave. Outros tratamentos servem
para impedir o ataque da traça, para evitar que a roupa encolha e se
amarrote, para melhorar a limpeza geral e para aumentar a capacidade de
absorção da água.
Por outro lado, a indústria do vestuário utiliza mais de metade de tintas
químicas: 30 000 toneladas só na Alemanha.
Das tintas têxteis, uns 60% das substâncias corantes são absorvidas pelos
tecidos; os 40% restantes vão, finalmente, para os esgotos.
Os resíduos venenosos e o fumo industrial são uma carga para o meio ambiente
e para as pessoas. O preço para satisfazer as exigências da moda pode ser
alto. Tudo está incluído, desde cefaleias massiças e irritações da pele e
das mucosas, até doenças alérgicas, como eczemas, bronquites e asma.
Segundo a opinião dos técnicos de tintura têxtil, não há nenhuma
alternativa.
As denominadas tintas sólidas ou ao frio, para máquinas de lavar, contêm
substâncias alergénicas e não são saudáveis. E, apesar do depósito de
resíduos que têm os têxteis, por fim uma boa parte chega ao meio ambiente.
O que deve prestar atenção:
1. É imprescindível que lave sempre com água bem quente e, certamente várias
vezes, cada peça de roupa nova antes de a vestir.
2. Use roupa larga que não faça fricção ou roce a sua pele. Use roupa
interior de tecidos brancos ou pastel.
3. Depois de bem lavadas, passe a roupa a ferro. Abra as janelas enquanto
passa a ferro; o vapor morno pode desprender formaldeído (aldeído fórmico)
do tecido.
4. Não faça roupa de vestir de tecidos para cortinas, pois estas têm na sua
fabricação e coloração um regulamento muito menos estrito.
5. Faça roupa nova de tecidos usados.
6. Evite os tecidos que exijam limpeza com produtos químicos. Não transporte
para a sua casa os alimentos juntamente com roupa que foi limpa
quimicamente, e deixe-a arejar pelo menos um dia.
7. Se, ao vestir roupa nova, sentir picadas ou erupção cutânea, consulte um
dermatologista.
In Vida Feliz