Exercício / Novembro 2002

PELA sua saúde mexa-se... mas com segurança


Ver fig.

Se por um lado a prática de actividade física é boa, a verdade é que alguns pais empreendem com os seus filhos programas de actividade física de alta competição que vêm pôr em perigo o seu bem-estar. Registe alguns dos aspectos negativos que a actividade física não cuidada pode ter como consequência a nível do corpo humano.
- As contusões: A contusão é uma lesão dos tecidos moles, sem risco. Pode ser acompanhada ou não de hematoma (concentração de sangue nas partes moles superficiais). É o panículo adiposo que está debaixo de fogo em primeiro lugar, mas igualmente o tecido conjuntivo que estrutura as células e as une, os vasos sanguíneos superficiais e os músculos. Esmagados pela força da pressão, os tecidos subcutâneos podem ou não ficar lacerados e a ruptura dos capilares provocar uma equimose ou hematoma, segundo o volume de sangue.
O que fazer
Aplicar imediatamente gelo de modo a conter a extensão e diminuição da dor, colocando sobre um tecido a parte atingida. O frio induz a vasoconstrição e limita a formação do hematoma. A aplicação deveria durar 20 m. e ser renovada quatro ou cinco vezes. Para facilitar a reabsorção dos líquidos, aplique compressas quentes que provocam a vasodilatação e estimulam a circulação sanguínea na zona traumatizada.
- Luxações: a luxação é caracterizada pela incongruência parcial ou total entre duas superfícies articulares. A intervenção médica é sempre necessária e urgente.
- As tendinites são uma das mais sérias afecções de alguém que se dedique à prática desportiva. A inflamação do tendão ou da bainha que o protege pode ser muito dolorosa. Ela pode ser devida a solicitações excessivas e ao traumatismo directo ou ainda ser fruto de uma inflamação e/ou infecção regionais. A dor é perceptível no momento em que se palpa o tendão com ou sem sinais inflamatórios locais. O movimento do músculo correspondente está diminuído e acarreta impotência funcional da articulação vizinha.
Assim deve-se interromper temporariamente a actividade desportiva. Uma sensação prolongada que não cessa com o repouso quotidiano obriga a um repouso prolongado. A recuperação deve ser feita tranquilamente e com exercícios de aquecimento e distensão, sob vigilância médica por especialista em ortopedia ou/e fisiatria. Se a dor voltar um especialista deve ser consultado.
- Mialgias e cãibras: Na ausência de traumatismos, a causa de dor muscular mais frequente é o cansaço consequente de um excesso de trabalho imposto a um tecido que tem limites bioenergéticos determinados. Normalmente isto é fruto de uma falta de treino.
Que fazer: em caso de dor dos membros inferiores, elevar as pernas. Isto elimina os desperdícios metabólicos. Aplicar gelo durante 15-20 m., duas a 3 vezes por dia e permanecer em descanso 24-48h.
- Epistaxis (ou sangramento do nariz)
- Entorses: são lesões do sistema capsular e ligamentar que envolve uma articulação. O tornozelo é a articulação mais frequentemente atingida, depois o joelho, o punho e as articulações dos dedos ou inter-falângicas. A dor intensa é constante. É acompanhada de um inchaço, com ou sem equimose, e de uma impotência funcional. A deambulação e a marcha são possíveis por períodos curtos como o auxílio de duas canadianas.
Que fazer: Depois da pessoa ter sido sentada ou alongada, de acordo com o local da lesão, libertá-la das suas roupas e sapatos (se se trata de uma entorse do tornozelo) do seu relógio e anéis, no caso de uma entorse do punho, ou das articulações inter-falângicas, pois podem dificultar a circulação sanguínea. O membro deve estar elevado sempre que possível e deve aplicar-se gelo dentro de uma toalha localmente durante 15 a 20 minutos, com intervalo de uma a duas horas, durante as primeiras 48 horas logo após o traumatismo. Manter os membros em posição sobre elevada para favorecer o retorno venoso e linfático.
- O cansaço: é uma consequência natural da actividade física, mas não deve ser confundida com a exaustão. Isto é, deve ser interrompida a actividade quando ainda há forças para continuar mais um pouco.

Luís S. Nunes
Revisto por Manuel Marques Teixeira
Médico, Ortopedista, Lisboa

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