 A obesidade
é o principal factor de risco para o desenvolvimento da diabetes tipo 2,
sendo ao mesmo tempo responsável pelo aumento da frequência desta patologia.
“Cerca de 80 a 90 por cento dos diabéticos sofrem de obesidade”, afirma o
Dr. Luís Medina, do Serviço de Endocrinologia do hospital de S. João no
Porto.
Ao mesmo tempo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o século
XXI como o século da obesidade e da diabetes, surge o novo conceito de
“diabesidade” que define a profunda relação causal entre estas duas
patologias, com grande prevalência em todo o mundo.
“Por um lado, esta relação íntima chama a atenção para a relação
causa-efeito entre a obesidade e a diabetes e, por outro, realça a
importância de combater e tratar a obesidade como um meio fundamental de
prevenir a diabetes”, nota o especialista. Diversos estudos demonstraram
que, alterando o estilo de vida actual, aumentando a actividade física e
corrigindo a alimentação “de balcão, rápida e rica em gorduras”, é possível
reduzir o número de indivíduos que se transformam em diabéticos.
Esta realidade potencia o considerável risco futuro da diabetes tipo 2 em
crianças e adolescentes. “É necessário que os pais tenham informação e
vontade de reverter esta situação grave”, afirma o especialista, revelando
que a obesidade na criança pode ser causa de problemas psicológicos,
ortopédicos e metabólicos.
De acordo com o Dr. Luís Medina, as crianças que não gastam calorias em
actividade física e que comem alimentos muito ricos em calorias são fortes
candidatos à obesidade. Num mundo que “está a aumentar de peso”, a
“mortalidade aumenta com a subida do índice de massa corporal e o risco
relativo para outras doenças em caso de obesidade é significativo”, explica
o endocrinologista.
Para além da diabetes tipo 2, outras patologias associadas, como a
dislipidémia, perturbações respiratórias, doença cardiovascular, hipertensão
arterial e osteoartrite contribuem para o agravamento da situação do
paciente.
“A obesidade é uma doença crónica e, como tal, precisa de apoio médico
regular. Uma vez que a manutenção da perda de peso é difícil, o apoio tem
que ser permanente e todos os meios terapêuticos adequados devem ser
recomendados”, afirmou, por último, o Dr. Medina.
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