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PIOLHOS Pergunta: “Tenho um filho com 4 anos que já é a segunda vez que vem do infantário com piolhos. Será por falta de higiene?” H.R. – Sacavém |
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Resposta: O piolho é um ectoparasita frequentemente observado em
crianças. O mais vulgar é o piolho da cabeça, de seu nome científico Pediculus
humanus capitis. É o mais frequente dos ectoparasitas em pediatria, passando
facilmente de pessoa para pessoa. É um insecto sugador de sangue, cuja fêmea põe 7 a 10 ovos por dia em invólucros de ovos (lêndeas). As lêndeas são castanhas e os ovos brancos. Destes emergem ninfas, que se tornam adultas em 8 a 15 dias e vivem 9 a 30 dias como adultos. Tanto as lêndeas como os piolhos adultos podem sobreviver separados da sua fonte de sangue até duas semanas. O piolho da cabeça não é vector de doenças humanas e é transmitido por contacto do cabelo de pessoa a pessoa e através de objectos (chapéus, pentes, acessórios de cabelo, etc). Os pais muitas vezes se interrogam se a infestação por piolhos reflecte falta higiene mas a higiene, em princípio, não tem aqui qualquer papel. A queixa mais frequente da infestação por piolhos é o prurido do couro cabeludo. Também se podem verificar adenopatias (caroços) na parte posterior da cabeça. A identificação das lêndeas em especial nas partes mais quentes do couro cabeludo confirma a suspeita. Estudos recentes sugerem que a remoção manual das lêndeas e dos piolhos, com um pente de lêndeas de boa qualidade, é o aspecto principal do tratamento. Esta remoção pode ser difícil. Recomenda-se por isso a aplicação prévia de um óleo alimentar, para facilitar o pentear, ou de vinagre brando para amolecer as aderências. Não está indicado rapar a cabeça. Também está indicado o uso de um pediculicida, como a permetrina a 1% (com. “Nix”, “Quitoso”). Como nenhum dos produtos mata completamente os ovos, é necessária nova aplicação passada uma semana para erradicar os piolhos que estão novamente a nascer. Recomenda-se o tratamento simultâneo dos contactos próximos (por ex. outras crianças que vivem na mesma casa ou que partilham roupas ou chapéu. O tratamento com pediculicidas deve ser evitado em pessoas com alergias, asma, epilepsia, feridas abertas ou doenças médicas pre-existentes. As crianças que fizeram mais de um tratamento para os piolhos da cabeça, ou que estiveram expostas a sprays para os piolhos ou a insecticidas para moscas, podem ter um risco aumentado de efeitos colaterais neurológicos, incluindo convulsões. |
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Samuel Ribeiro |
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