Quer seja a perda de um cônjuge, de um filho, de um
pai, de um avô, ou de um amigo, as expressões citadas acima revelam que nenhuma
outra experiência é tão isoladora e dolorosa como a da perda de alguém. O facto
é que as pessoas podem atravessar um período de luto positivo ou negativo,
dependendo das suas escolhas. Aqui tem 25 maneiras de ter um luto mais positivo
e, no processo, ajudar-se a si próprio a curar a ferida do sofrimento.
1. Contacte os amigos. “Depois da morte da minha mulher tive de aprender que,
quando a solidão era avassaladora, eu tinha que reagir e procurar ajuda. Não
podia ficar simplesmente à espera que alguém me telefonasse. Tinha de procurar o
contacto,” recorda um viúvo. Procurar a companhia de amigos que apoiam e se
preocupam pode aliviar grandemente o fardo do sofrimento e alegrar até o momento
mais escuro.
2. Ponha o físico a trabalhar. Caminhe, faça jogging, ande de bicicleta, nade,
ande de patins. Faça algum exercício físico durante 30 a 40 minutos pelo menos
cinco vezes por dia. Isso mantê-lo-á em boa forma física enquanto diminui a
depressão e a ansiedade.
3. Há vantagem em crer. O sofrimento é uma experiência que nos isola e que nos
pode fazer sentir como se estivéssemos completamente sós. Partilhe o fardo do
sofrimento com Deus, permitindo-Lhe que o guie pelo caminho da cura. Anime-se
com esta afirmação de Alexis Carrel: “Como médico, já vi homens que, depois de
todas as outras terapias terem falhado, são retirados à doença e melancolia pelo
sereno esforço da oração.”
4. Beba mais água. “São necessários os fluídos adequados para retirar os tóxicos
do organismo e manter o equilíbrio apropriado de electrólitos,” diz o Dr. Alan
Wolfelt, director do Center for Loss and Life Transition, em Fort Collins,
Estados Unidos. “Como aqueles que perdem alguém têm a tendência de se sobreporem
à sua sensação de sede, necessitam de beber mais líquidos do que pensam.” A água
é o melhor líquido. Evite bebidas com cafeína, tais como café e colas.
5. Cultive uma atitude de gratidão. Não obstante aquilo que lhe aconteceu, ainda
há muitas coisas pelas quais estar grato. Dê graças todos os dias. Identifique
áreas da sua vida que ainda são boas e enriquecedoras, tais como amigos,
família, um emprego em que se sente realizado, saúde, boas recordações, etc.
Cultivar uma atitude de gratidão é uma forma de ver o seu copo como estando meio
cheio em vez de meio vazio.
6. Decore textos com mensagens positivas. Encha a mente e a alma com expressões
de confiança e fé. Pode encontrar na Bíblia, por exemplo: “...o choro pode durar
uma noite, mas a alegria vem pela manhã” Salmo 30:5; “E eis que estou contigo, e
te guardarei por onde quer que fores” Génesis 28:15, etc. Decore-os e recorde-os
a qualquer momento.
7. Ligue-se à força de vontade. “O infortúnio é grande, mas os seres humanos são
maiores do que o infortúnio,” escreveu o poeta indiano Rabindranath Tagore.
Ligue-se à sua força de vontade. Repita a si próprio frases como estas: “Vou
ultrapassar isto.” “Emergirei mais forte e melhor devido a esta experiência.”
“Vencerei.” Anime-se com esta observação de Helen Keller: “Embora o mundo esteja
cheio de sofrimento, também está cheio de triunfo sobre o sofrimento.”
8. Compreenda que a dor pela perda de alguém é uma viagem. O sofrimento é uma
viagem emocional durante a qual se passa de uma condição para outra. Essa viagem
leva o seu tempo e envolve estas três fases básicas: experimentar a dor da
perda; ajustarmo-nos a um ambiente de que o falecido está ausente; e adquirir
novas energias emocionais e reinvesti-las num novo relacionamento.
9. Esteja alerta aos perigosos sinais de sofrimento. Embora a maioria das
pessoas sofra de forma saudável, há quem se deixe apanhar por um sofrimento
doentio. Aqui estão alguns sinais de que o sofrimento se tornou doentio:
l Desleixo próprio, tal como aumentar ou diminuir muito de peso.
l Afastamento e isolamento dos familiares e amigos.
l Depressão implacável que não parece querer aliviar.
l Pensamentos suicidas frequentes.
l Abuso do álcool e/ou drogas.
Se sentir um conjunto destes sintomas, procure ajuda profissional.
10. Ligue-se aos recursos comunitários de sofrimento. Mesmo nas comunidades mais
pequenas existem alguns recursos para o sofrimento. Além dos familiares e
amigos, contacte as seguintes pessoas para que o ajudem a atravessar o período
de sofrimento: assistentes sociais, clérigos, enfermeiras, psicólogos.
11. Deixe correr as lágrimas. “Para falar claramente, chore,” diz o ministro e
autor Norman Vicent Peale. “Somos rápidos a equacionar uma demonstração de
emoções com fraqueza. Na verdade, a velha frase ‘pôr as emoções a nu’ é boa,
pois este método de alívio é a válvula de escape da natureza. Se reprimir
demasiado o sofrimento, o resultado poderá ser o desajuste emocional.”
12. Seja paciente consigo mesmo. Não há uma maneira rápida de curar a ferida do
sofrimento. A recuperação de um sofrimento leva muito, muito mais tempo do que
as pessoas pensam. Dia a dia faça as pequenas coisas de que precisa para o
suportar e lidar com ele. Lembre-se deste bocado de sabedoria vinda de Benjamin
Franklin: “Pequenas machadadas abatem os grandes carvalhos.”
13. Junte-se a um grupo de apoio. É muito terapêutico estar com outras pessoas
que tiveram uma experiência similar. Aprenderá e será inspirado por elas.
Beverly Raphael, uma psiquiatra australiana e autora de The Anatomy of
Bereavement, diz que os grupos de apoio “provaram ser extremamente valiosos
providenciando aconselhamento e apoio prático.” Eles “agem como um forum para
partilhar dificuldades e recursos práticos. Poderão proporcionar apoio em geral
e amizade. ( Ver pág. 21)
14. Ouça música. “A música pode expressar melhor a experiência mística do que
qualquer língua,” escreve Paul Bruton no seu livro Mediations for People in
Crisis. “Pode falar do seu mistério, alegria, tristeza e paz muito melhor do que
as palavras. Na música, a fadiga intelectual encontra um tónico e as emoções
atormentadas encontram conforto.
15. Passe tempo na natureza. Saia e tire vantagem da beleza e alegria natural
deste mundo. Passe tempo a admirar as flores silvestres a bailarem ao vento numa
colina, as águas calmas de um ribeiro, a beleza de uma ave elevando-se nos ares,
a graça de um animal correndo pela mata. Tudo isto poderá ajudá-lo a sair da sua
melancolia e alegrar um dia triste.
16. Informe-se sobre o processo do sofrimento. O sofrimento dá aso a uma série
de sentimentos confusos e conflituosos. Muitas vezes, a viagem que atravessa o
sofrimento parece mais uma montanha russa. Embora tudo isso seja normal, muitas
pessoas que sofrem ficam temerosas das suas emoções e suspeitam que possam estar
a “dar em doidas”. Vá a uma biblioteca e peça livros sobre o processo do
sofrimento. Estes livros assegurar-lhe-ão que a sua resposta à perda é bastante
normal.
17. Conceda, a si próprio, prazeres simples. Esse conselho é dado pelas autoras
Candy Lightner e Nancy Hathaway no seu livro Giving Sorrow Words. “O luto é um
estado emocional tão profundo que poderá soar ridículo recomendar que tome um
banho de imersão com sais, que vá a um jogo de futebol ou que invista num VCR
para poder ver filmes em casa,” escrevem elas. “Os prazeres simples não oferecem
grandes soluções; ninguém diz o contrário. Contudo, proporcionam alívio. Podem,
realmente, fazer-nos sentir melhor, porque levam mensagens ao nosso interior –
mensagens que dizem que, mesmo sós, ainda contamos.”
18. Aprenda a esperar por tempos difíceis. “A dor do sofrimento é normalmente
pior antes que se façam progressos no nosso trabalho,” escreve o Dr. Bill Flatt,
um conselheiro e autor do livro Growing Through Grief. “Tal como nos diz o
antigo adágio, ‘É sempre mais escuro antes da madrugada’. Portanto, se se
encontra agora numa altura particularmente escura, talvez isso signifique que
estará para breve algum progresso verdadeiro. Continue à procura da luz! O
futuro é brilhante não obstante as nuvens do presente. Agarre-se a essa
verdade.”
19. Dê, a si próprio, alguns períodos de intervalo do sofrimento. Embora o
sofrimento pela morte de alguém possa ser desgastante, decida dar a si próprio
alguns períodos de alívio. Separe uma hora ou duas em que possa fazer alguma
coisa que o distraia da sua dor, tal como dar uma volta por um centro comercial
ou convidar alguém para almoçar consigo num restaurante.
20. Não faça mudanças. A tentação de fazer grandes mudanças logo a seguir à
perda de alguém é uma das muitas que se tem de enfrentar. Resista para evitar
criar mais mudanças a não ser que seja absolutamente necessário. “Como princípio
básico, quem perdeu um ente querido recentemente devia ser desencorajado a tomar
decisões que levem a mudanças que possam alterar a sua vida, tais como vender
propriedades, mudar de emprego ou de carreira, adoptar crianças, pouco depois de
uma morte. É difícil ter-se bom senso durante a parte aguda do sofrimento quando
há o risco de uma resposta mal adaptada,” escreve o Dr. J. William Worden, no
seu livro Grief Counselig and Grief Therapy.
22. Faça planos antecipados para dias especiais. Os dias de Natal, aniversários
de casamento, dia de aniversário e outros acontecimentos familiares podem ser
muito difíceis, especialmente nos primeiros anos após a perda. Pense com
antecedência na melhor forma de celebrar esses dias. Algumas pessoas decidem
manter algumas tradições, enquanto outras preferem fazer mudanças. Consulte
outros membros chave da família e tomem as decisões em conjunto.
23. Leia sobre como outros fizeram a sua viagem através do sofrimento. A
informação dar-lhe-á mais liberdade e capacidade. Poderá ser inspirado e obter
informações ao ler como outras pessoas se sentiram durante as suas dolorosas
perdas e venceram. Peça sugestões na sua biblioteca.
24. Aceite um novo desafio. Quando se começar a adaptar à vida sem o seu ente
querido, pense em aceitar um novo desafio. Arranje um hobby. Inscreva--se num
programa desportivo. Volte a estudar. Faça alguma coisa nova que alargue os seus
horizontes. Isso ajudá-lo-á a concentrar-se naquilo que é em vez de naquilo que
era.
25. Ajude outra pessoa. Uma das formas mais eficazes de tirar o gume à dor é
tentar ajudar outra pessoa. Ofereça o dom do tempo e do serviço. Há uma
variedade de organizações civis e religiosas que necessitam de voluntários.
Faça-o em honra do seu ente querido. Também fará com que se sinta melhor consigo
mesmo.
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