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O suicídio juvenil é uma importante causa de morte no
mundo ocidental, apresentando indícios de vir a agravar-se.
Preocupado com esta e outras realidades, Shanta R. Dube, epidemiologista
no Center of Disease Control and Prevention, em Atlanta, estudou uma
amostra de mais de 17 000 adultos saudáveis, que utilizaram os serviços
de uma clínica de cuidados primários na Califórnia, entre 1995 e 1997,
tendo publicado os seus resultados no The Journal of the American Medical
Association de 26 de Dezembro último. Assim, foi concluído (entre outros
elementos) que a violência na infância tem consequências, a longo
prazo, bastantes graves, tais como as tentativas de suicídio.
Esta descoberta de que pelo menos um tipo de pessoas que tiveram uma
infância violenta têm cinco vezes mais probabilidades de, na fase
adulta, tentarem suicidar-se, obriga a rever toda a dinâmica das
relações familiares na actualidade.
Pessoas que tiveram experiências traumáticas podem ter 30 a 50 vezes
mais probabilidades de suicídio em qualquer fase da vida – quer seja na
infância ou já na fase adulta – comparativamente com aqueles que
tiveram um passado sem este tipo de antecedentes, apresentando as mulheres
três vezes mais tentativas de suicídio do que os homens.
Os autores deste estudo revelaram ainda que este tipo de acontecimentos
negativos interrompem o desenvolvimento cerebral, afectando por isso a
saúde mental destas pessoas.
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