Informação 5 / Outubro 2002

DIGA NÃO À VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA

O suicídio juvenil é uma importante causa de morte no mundo ocidental, apresentando indícios de vir a agravar-se.
Preocupado com esta e outras realidades, Shanta R. Dube, epidemiologista no Center of Disease Control and Prevention, em Atlanta, estudou uma amostra de mais de 17 000 adultos saudáveis, que utilizaram os serviços de uma clínica de cuidados primários na Califórnia, entre 1995 e 1997, tendo publicado os seus resultados no The Journal of the American Medical Association de 26 de Dezembro último. Assim, foi concluído (entre outros elementos) que a violência na infância tem consequências, a longo prazo, bastantes graves, tais como as tentativas de suicídio.
Esta descoberta de que pelo menos um tipo de pessoas que tiveram uma infância violenta têm cinco vezes mais probabilidades de, na fase adulta, tentarem suicidar-se, obriga a rever toda a dinâmica das relações familiares na actualidade.
Pessoas que tiveram experiências traumáticas podem ter 30 a 50 vezes mais probabilidades de suicídio em qualquer fase da vida – quer seja na infância ou já na fase adulta – comparativamente com aqueles que tiveram um passado sem este tipo de antecedentes, apresentando as mulheres três vezes mais tentativas de suicídio do que os homens.
Os autores deste estudo revelaram ainda que este tipo de acontecimentos negativos interrompem o desenvolvimento cerebral, afectando por isso a saúde mental destas pessoas.