Prevenção / Outubro 2002

Prioridade à segurança

Há quinze vezes mais crianças a morrer de acidentes do que devido a doenças infecciosas.
A segurança das crianças é reconhecida como sendo um problema importante.
O perigo começa nas primeiras semanas de vida. Até a capacidade de um bebé se voltar representa a possibilidade de uma queda e um consequente ferimento, pode até mesmo – para sermos melodramáticos – sufocar. Mas é muito fácil para pais conscientes das regras de segurança, reduzirem os perigos mantendo o bebé sob vigilância e o seu meio-ambiente livre de qualquer perigo. Todas as mães parecem ter um sexto-sentido quanto a estes assuntos. Contudo, poderá estar muito mais alerta se treinar os seus olhos, estiver preparada para qualquer perigo e fizer os possíveis para eliminar a causa.

Segurança do berço.
Nos primeiros meses, o berço é a área limitada em que vive a criança. É, portanto, necessário que o berço seja à prova de acidente. O melhor tipo é aquele que é suficientemente grande, estável – no entanto portátil, com barras de madeira e lados ajustáveis.
As barras verticais devem ter, pelo menos, quarenta centímetros de altura e ter, no máximo, sete centímetros de espaço entre elas, para que o bebé não consiga forçar a cabeça pelos espaços. É importante que o colchão seja leve e firme para que não interfira com o desenvolvimento da estrutura óssea.
No berço não deveriam ser usadas almofaças fofas, grandes e espessas, pois o bebé poderia sufocar. Sob a cabeça do bebé é melhor usar uma almofada baixinha ou uma esponja macia posta sob o bebé e bem esticada. Se, no Inverno, o bebé necessitar de uma almofada de penas, deveria ser bem presa com ganchos ou com fitas.
Os lençóis deverão ser bem enfiados por baixo do colchão ou amarrados cuidadosamente para evitar que a criança se enrole neles.

Segurança dentro do campo de acção da criança.
Peças de roupa de bebé que possam enrolar-se à volta da criança, deverão ser tirados do berço. É importante que se tire de perto da criança tudo aquilo que ela possa engolir ou que possa magoá-la. Os brinquedos devem ser grandes e leves, sem arestas ou pontas. Os testes dizem que os brinquedos de bebé feitos com borracha natural (látex) são seguros e podem ser metidos na boca.
Os botões, os berlindes ou as moedas são uma genuína fonte de perigo durante a ‘fase oral’ do desenvolvimento da criança, quando ela põe tudo na boca para o testar. Essas e outras coisas não deveriam ser deixadas no raio de acção da criança.

Parques e carrinhos de bebé. Os lados dos parques são, normalmente, feitos de rede ou barras. A rede que é demasiado áspera e na qual se podem prender os botões, é perigosa. Para que a criança não se magoe, a largura da malha – de acordo com as especificações de segurança – não deverá ser superior a quatro milímetros e meio. No caso das barras, não deverá haver um espaço superior a sete centímetros entre elas. Quando comprar um parque, certifique-se de que não há arestas agudas ou cantos e que a superfície é lisa. A estabilidade e a rigidez do parque pode ser facilmente testada abanando-o com firmeza.
Há normas para os carrinhos. Só os carrinhos que estejam de acordo com elas é que deveriam ser comprados.
Responda às seguintes questões:
O carrinho tem travão? O assento é seguro contra uma involuntária deslocação giratória? Quando se dobra o carrinho, a pega passa facilmente por cima da cabeça da criança? O carrinho não se vira com facilidade? Tem um cesto debaixo do carrinho que dá jeito, e ajuda na estabilidade do mesmo?

Apartamentos pequenos e quartos de bebé minúsculos. Um espaço acanhado é um grande factor na causa de acidentes. Em muitos apartamentos, o quarto mais pequeno é o que é transformado em quarto do bebé. É frequente as crianças caírem de janelas baixas em quartos que são muito pequenos.
Quando a criança começa a querer trepar em tudo, os parapeitos das varandas deveriam ser suficientemente altos para evitar que isso aconteça, e poderá sempre ser acrescentada uma rede de segurança. Os reforços horizontais são perigosos pois as crianças pequenas estão sempre a testar as suas capacidades de trepar.

Cozinha perigosa. Com um planeamento responsável e de forma relativamente simples, muitas das fontes de perigo na área da cozinha podem ser tornadas seguras.
As crianças entre os dois e os quatro anos, na chamada ‘idade suicida’, têm o mais alto índice de acidentes mortais. Enfiam pregos nas tomadas, empurram cadeiras até às janelas abertas e desequilibram-se, envenenam-se com comprimidos coloridos tirados da gaveta de mesinhas de cabeceira ou bebem produtos químicos de limpeza.

A curiosidade da criança e o seu desejo de descoberta não tem limites – nem deveriam ser postos quaisquer limites, pois a criança precisa de explorar para descobrir o seu meio-ambiente. Contudo, essas viagens de exploração têm de ser tornadas seguras, para que a criança não sofra qualquer experiência perigosa ou desagradável. Preste atenção ao seguinte:
l Proteja as tomadas ou use tomadas apropriadas. l Mantenha os frigoríficos ou arcas congeladoras fechados (de preferência, à chave). l Nunca deixe equipamento eléctrico ligado. Arrume-o logo que o acabe de usar. l Compre só equipamento dentro das normas de segurança. l Guarde os sacos de plástico em sítios seguros. l Certifique-se de que as carpetes estão bem seguras. l Lembre-se sempre que a luz aumenta a segurança, particularmente em escadas e varandas, bem como nos jardins.
Cerca de dez por cento de todos os acidentes domésticos acontecem nas cozinhas. Embora a cozinha seja quentinha, não é um parque infantil, mas uma zona de trabalho e, certamente, não é o lugar apropriado para deixar uma criança brincar e gatinhar sem ser vigiada.

O cuidado é a melhor fonte de segurança. Numa casa com crianças, é necessário que se ponham medidas de segurança extra em frente ao fogão; as asas das panelas e os cabos das frigideiras devem ser voltados para dentro; os fios eléctricos e as tomadas defeituosos devem ser imediatamente reparados; o termostato da caldeira deve ser mantido baixo para evitar escaldões acidentais. Além disso, as crianças nunca deveriam ser deixadas sozinhas perto de uma mesa que já tenha sido posta para uma refeição; bules com chá quente e pratos com sopa podem ser fatais. As queimaduras e os escaldões são os acidentes mais comuns em crianças pequenas.