Responde o ... / Outubro 2002

Anginas


Pergunta:
“O meu filho sofre muito de anginas. Todos os anos, por esta altura, temos de ter cuidados especiais com ele. Por favor, pode esclarecer--me sobre esta doença e sobre o que devemos fazer?"Amélia Prata – Barreiro
Resposta: Na prática, quando se fala em anginas referimo-nos à inflamação da garganta, com compromisso ou não das amígdalas. Geralmente falamos de faringites ou faringoamigadalites que, na maioria das vezes, são provocadas por algum vírus. Outras vezes são originadas por diferentes classes de bactérias.
É uma doença que pode aparecer em qualquer idade e maioritariamente no Inverno ou com mudanças bruscas de temperaturas tão comuns na Primavera e no Outono.
Os sintomas variam segundo o agente causador, embora muitos sejam comuns a todas as etiologias ou causas. O começo costuma ser gradual, com mal-estar, inapetência e febre que pode ser de poucos graus até 40º ou mais.
A dor de garganta, que orienta o diagnóstico, pode ser de intensidade variável e estar presente deste o princípio, mas é mais comum que apareça um ou dois dias depois e tenha o seu pico máximo por volta do terceiro dia.
Quando a causa é um vírus, é frequente que haja rouquidão, tosse e rinite aquosa; quer dizer, os sintomas são parecidos com os da gripe.
Em certas ocasiões aparecem umas pintas ou placas brancas nas amígdalas. As primeiras são causadas por um vírus, que também pode provocar as placas mas, na maioria das vezes, estas são causadas por uma bactéria. As amígdalas costumam inchar e os gânglios do pescoço e os submaxilares inflamar-se e ficarem moderadamente dolorosos. São processos que se curam espontaneamente, sem tratamento, mesmo os bacterianos.
No caso das anginas virais não é necessária a prescrição de antibiótico, mas quando a causa é um germe chamado hemóphilus (sobretudo na criança em idade pré-escolar) ou outro chamado estreptococo beta hemolítico grupo A o risco de complicações graves impõe o emprego de antibiótico.
No primeiro caso, as complicações nas crianças pequenas podem ser a meningite ou outra infecção grave. O mesmo germe pode causar uma afecção simples numa criança de mais idade ou num adulto mas, numa criança pequena, ocasionar uma doença importante. No segundo caso, a complicação mais comum é a febre reumática e também a glomerulonefrite.
É importante, portanto, que os pais não tentem medicar a criança, mas que deixem que seja o pediatra a fazê-lo e que sigam as suas indicações à risca, não suspendendo a medicação só porque a criança se sente melhor, pois há o risco de recaídas ou, o que é pior, que as bactéria se torne resistente.
É fundamental que os pais não esqueçam que é preferível a prevenção. Uma criança correctamente alimentada, com descanso suficiente, que passa todos os dias algum tempo ao ar livre, que faz exercício físico e vive num ambiente limpo estará sempre em melhores condições para se defender das doenças.

Marta Bina