A S&L... Leu Por Si: Plano Nacional de Saúde
Foi apresentado nos passados dias 11 e 12 de
Fevereiro o Plano Nacional de Saúde.
Dividido em dois grandes capítulos: ORIENTAÇÕES PARA OBTER MAIS SAÚDE PARA TODOS
e ORIENTAÇÕES PARA A GESTÃO DA MUDANÇA, este “Plano desenvolve orientações
estratégicas com a finalidade de sustentar política, técnica e financeiramente
uma vontade nacional, dando-lhe um cunho integrador e facilitador na coordenação
e inter-colaboração dos múltiplos sectores da saúde. Todo o trabalho contemplado
neste documento visa três grandes objectivos estratégicos:
- Obter ganhos em saúde, aumentando o nível de saúde nas diferentes fases do
ciclo de vida e reduzindo o peso da doença;
- Utilizar os instrumentos adequados, nomeadamente centrando a mudança no
cidadão, capacitando o sistema de saúde para a inovação e reorientando o sistema
prestador de cuidados;
- Garantir os mecanismos adequados para a efectivação do plano, através de uma
cativação de recursos adequada, garantindo o diálogo intersectorial, adequando o
quadro de referência legal e criando mecanismos de acompanhamento e actualização
do plano”.
Estamos, assim, perante o dealbar de uma estratégia com um longo alcance – 10
anos –, dividida em três fases: A fase I corresponde à definição da estrutura do
plano e dos seus objectivos globais e à especificação das orientações
estratégicas – mais detalhadas para o ciclo de vida e doenças e enfermidades, e
menos para os outros eixos de acção contemplados no plano. Esta fase será
completada no primeiro trimestre de 2004.
A fase II, planeada para o período de 2004 a 2006, detalhará com maior rigor os
outros eixos identificados na versão inicial do Plano.
A fase III, até 2010, será a fase de acompanhamento e monitorização da execução
do plano pelas estruturas que forem designadas como responsáveis. Todos os
interessados poderão descarregar para o seu computador a versão em PDF do plano
a partir do site da Direcção Geral de Saúde em
www.dgsaude.pt
Doenças da Próstata: Desfazendo Mitos
As doenças da próstata, que aumentam à medida que a
população envelhece, são uma das preocupações dos homens a partir dos 50 anos.
Pensando nesta realidade, foi recentemente criada a Associação Portuguesa dos
Doentes da Próstata (APDP) que, além de prestar apoio e transmitir informação,
pretende contribuir para desmistificar alguns dos mitos que afligem o sexo
masculino.
Segundo o Dr. Mendes da Silva, Presidente da Associação Portuguesa de Urologia,
a quem se deve a criação da APDP, “esta nova associação pode ser um veículo
eficaz de entreajuda e partilha de experiências”.
Na realidade, embora o médico tenha o seu papel para desfazer mitos e
preocupações que existem em relação a estas doenças, “a mensagem será muito mais
eficaz se for passada pelos próprios doentes, uma vez que, com as suas
experiências, podem ajudar na tomada de decisões”, sublinha o Dr. Tomé Lopes,
chefe do serviço de Urologia do Hospital Pulido Valente, de Lisboa.
Cerca de metade dos portugueses com mais de 60 anos sofrem de Hiperplasia
Benigna da Próstata (HBP), que se caracteriza por um aumento do volume, não
canceroso, da glândula prostática, e quase 90 por cento acima dos 80 anos tem
HBP. Embora não se conheçam as causas, as hormonas masculinas e a própria idade
são dois factores que ajudam ao seu desenvolvimento.
No entanto, segundo este especialista, “o facto de um indivíduo sofrer de HBP
não quer dizer que tenha sintomas ou necessite de ser tratado. Apenas metade dos
doentes é que vai desenvolver sintomas”. Destes, 35 por cento mantêm-se
estacionários, sem evolução, e 15 por cento acabam mesmo por revelar melhorias.
“As alterações na micção são o sinal de que as coisas não estão bem, devendo o
homem de imediato procurar o seu médico.” A ideia de que estas mudanças fazem
parte do envelhecimento normal não corresponde à realidade.
Por último, o urologista afirmou que uma das preocupações destes doentes é a
possibilidade da HBP poder originar cancro, o que provoca ansiedade. Mas “a
Hiperplasia Benigna da Próstata não provoca o cancro, podendo, sim, coexistir
com ele.”
* Tribuna Médica Press/SL
Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDPk): Inaugura a Sua Sede
Há muito tempo que se fazia sentir a necessidade de
uma Sede própria para esta Associação que apoia os muitos doentes de Parkinson
da zona de Lisboa. Assim, é com muito prazer que informamos: nos dias 16 e 17
deste mês em que se comemora o Dia da Doença de Parkinson, a APDPk inaugura a
sua Sede, no Bairro da Liberdade. Haverá duas mesas redondas, a efectuar nos
dois dias, da parte da tarde, com o Conselho Científico e a Direcção da
Associação.
Neste espaço, a Associação proporcionará, aos seus associados, uma sala de
convívio e sessões de fisioterapia. Para mais informações, poderá contactar
pelos números 217578617 e 938993222.
Tenha Cuidados Redobrados Com o seu Cérebro
Estudos recentes têm vindo a explorar a razão por
que certas pessoas parecem não estar saciadas e a visão de comida e odores de
alimentos despertam nelas um apetite intenso, mesmo depois de já terem comido
abundantemente.
Jay Gottfried, do Instituto de Neurologia de Londres, estudou este processo e
com a sua equipa pôs em evidência o facto de que a amígdala cerebral e o córtex
orbitofrontal condicionam a vontade de comer, desencadeando um processo de
rejeição da comida que esteve no processo de saciação (se assim não fosse, seria
muito difícil resistir a um apetite não comandado por este interruptor do
apetite).
Estaria aqui uma primeira explicação que leva muitos a comer para além das suas
reais necessidades, conduzindo à obesidade – como acontece com os doentes que
sofrem da síndrome de Kluver-Bucy. Uma vez mais se revela quão delicado é o
cérebro humano, devendo ser protegido de elementos que possam afectar o seu
desempenho (como café, tabaco, drogas, álcool, drogas ilícitas, etc.). Estes
elementos podem prejudicar o cérebro, pondo em causa a sua função reguladora do
apetite.
Um grupo de médicos do Hospital Geral de Santo
António e do Centro de Saúde da Batalha, no Porto, fizeram recentemente um
estudo para avaliar a prevalência da obesidade e a relação desta com os hábitos
de ver televisão e a prática desportiva, em crianças de 5-6 anos, de uma
população urbana do Porto.
A obesidade representa, hoje, um grande problema de saúde pública em países como
o nosso. Tem-se assistido a um crescente aumento da prevalência da obesidade
infantil, havendo até quem a considere uma verdadeira epidemia.
Ela vem a par com uma diminuição generalizada da actividade física, o que
contribui para o desequilíbrio entre a quantidade de alimentos ingeridos e as
necessidades reais.
Esta diminuição da actividade física deve-se a: diminuição dos espaços livres
nas grandes cidades, acompanhado do aumento da insegurança, que favorecem a
permanência em casa; escassez de práticas desportivas organizadas, sobretudo no
âmbito escolar; aumento generalizado da utilização de actividades lúdicas
sedentárias (jogos electrónicos); e aumento do “consumo” de televisão como
reflexo de uma vida sedentária e que também promove uma alimentação
desequilibrada, através da publicidade a alimentos de discutível valor nutritivo
mas, quase sempre, de alto valor calórico.
Das 105 crianças incluídas neste estudo, no Porto, 22,9 por cento apresentavam
excesso de peso/obesidade. Nas conclusões ficou claramente demonstrado que o
tempo a ver TV e a jogar jogos electrónicos foi significativamente superior nas
crianças obesas. Estas ocupações aumentam no fim-de-semana no grupo das crianças
obesas, numa altura em que os pais poderiam mais facilmente controlar as
actividades dos seus filhos. Esta atitude permissiva demonstra que os pais não
estão sensibilizados para este problema.
As conclusões do estudo demonstram, assim, a necessidade de enfatizar a
importância da prática desportiva organizada (na escola, clubes desportivos,
etc.), a par de uma utilização racional do uso da TV nestas idades... e não só!
* Acta Pediatric. Port. / SL