Fisioterapia / Abril 2004

Doença de Parkinson

O que é?
Doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, lentamente progressiva, idiopática (sem causa conhecida), raramente acontece antes dos 50 anos, compromete ambos os sexos e caracteriza-se por:

-Rigidez muscular
-Tremor de repouso
-Hipocinesia (diminuição da mobilidade)
-Instabilidade postural.

Como se desenvolve?
A anomalia principal consiste numa perda de neurónios de uma área específica do cérebro, que produzirá a diminuição de uma substância chamada dopamina, alterando os movimentos chamados extrapiramidais (não voluntários).

O que se sente?
A doença de Parkinson afecta os movimentos automáticos, que são movimentos realizados normalmente sem pensar, como virar-se na cama ou andar. Para compensar a perda dessa capacidade, o doente deve concentrar-se nas actividades que apresentem mais dificuldade e nunca fazer mais de uma actividade, como, por exemplo, andar e conversar ao mesmo tempo.
A marcha fica cada vez mais difícil, com passos pequenos, arrastando os pés, com os braços flectidos, tronco inclinado e, em casos avançados a pessoa aumenta a velocidade da marcha para não cair (festinação). Outras vezes, pode ficar parado (congelado), com enorme dificuldade para se colocar em movimento.

Como se trata?
O diagnóstico, à medida que o tempo passa, torna--se mais nítido, evidente e fácil. O tratamento consiste no uso de medicamentos, fisioterapia, terapia ocupacional, psicoterapia e, em alguns casos seleccionados, cirurgia.
A progressão da doença é extremamente variável, dependendo do caso. As medicações não curam, mas reduzem muito os sintomas da doença.
Há várias formas de parkinsonismo: as causadas por um derrame (acidente vascular encefálico), um tumor, medicamentos, ou de causa desconhecida, etc... Por isso, é muito importante lembrar que nem todos os parkinsonianos exibem o mesmo quadro, pois há formas brandas da doença e outras mais severas.

Fisioterapia e Actividade Física
Um dos principais objectivos do serviço de fisioterapia é oferecer ao doente uma maior independência nas suas actividades de vida diária, com consequente melhoria da sua qualidade de vida.
O tratamento consiste no treino de actividades mais difíceis de serem executadas; na manutenção ou melhoria das condições musculares, através de exercícios de alongamento e fortalecimentos globais, além de exercícios posturais e de equilíbrio. Todos eles, e associados a movimentos respiratórios, oferecem ao doente condições ideais ou próximas disso, para que possa realizar actividades no seu dia-a-dia mais facilmente. Uma série de exercícios específicos deverão ser realizados diariamente, fazendo disso uma rotina, como tomar banho ou almoçar.
Os exercícios são divididos em duas partes: os básicos, que podem ser feitos por todas as pessoas, sem maiores dificuldades; e os específicos, que vão ao encontro das necessidades de cada um. Exemplo de dois exercícios básicos que poderá pôr em prática:

Exercício 1:
1 - coloque a mão direita sobre a mesa;
2 - segure uma mola de roupa entre o dedo polegar e indicador;
3 - aperte a mola abrindo-a o máximo possível;
4 - mantenha-a aberta enquanto conta até vinte;
5 - volte à posição inicial;
6 - repita com a outra mão.

Exercício 2:
1. coloque a mão direita sobre a mesa;
2. junte a ponta dos dedos;
3. coloque um elástico em volta dos dedos;
4. abra os dedos esticando o elástico;
5. mantenha-o esticado enquanto conta até vinte;
6. volte à posição inicial;
7. repita com a outra mão.

Os benefícios da fisioterapia, associada à terapia medicamentosa, é que eles trazem grande melhoria na postura do doente, no seu equilíbrio, na execução dos movimentos diários e na manutenção ou aumento da sua independência funcional. Além disso, há estudos que comprovam que a fisioterapia aumenta a absorção dos medicamentos à base de dopamina, evitando, assim, a administração de doses mais elevadas dessas substâncias, e actua na redução da rigidez muscular e dos tremores.
Outra actuação fundamental da fisioterapia no parkinsonismo, é que ela reduz significativamente a progressão da doença, em comparação com doentes tratados apenas com medicamentos antiparkinsonianos. Os benefícios da fisioterapia não se cingem apenas às alterações motoras, mas estendem-se também aos distúrbios psíquicos, como a depressão, que muitos doentes possuem, graus diversos de demência próprios da doença e agravados pelos medicamentos (levodopa, anticolinérgicos, selegilina, amantadina). O terapeuta e a família, dando ocupações, carinho e estímulos positivos e valorizando o que consegue fazer, são elementos importantíssimos para a sua reabilitação.
Não se deve esquecer a prevenção de outras doenças. É necessário prevenir, através de actividade física regular, doenças cardiovasculares, ortopédicas, intestinais e pulmonares. As melhores actividades são a caminhada, a natação e a hidroterapia. S&L

 

Liliana Morais
Fisioterapeuta

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