Gingko
NOME EM LATIM: Ginkgo biloba L.
FAMÍLIA: Ginkgoáceas
HABITAT: Oriundo da China, Japão e Coreia, espalhou-se como árvore ornamental
pelos parques e vias públicas de algumas regiões temperadas da Europa e da
América.
DESCRIÇÃO: Árvore que pode atingir até 30 m de altura. É dióica (pés masculinos
e femininos diferentes), de folhas caducas, grossas, elásticas, que desde jovens
se acham divididas em dois lóbulos. Os seus frutos são drupas amarelas,
comestíveis enquanto frescas, mas malcheirosas quando demasiado maduras.
REFERÊNCIAS HISTÓRICAS: Dia 6 de Agosto de 1945: Tudo são ruínas calcinadas em
Hiroshima. A cidade japonesa acaba de ser destruída pelo lançamento da primeira
bomba atómica. No que era um parque público, um majestoso ginkgo ardeu como se
fosse estopa.
Para surpresa dos sobreviventes, na Primavera seguinte à catástrofe, quando
ainda a cidade continuava a ser pouco mais do que um montão de escombros, brota
uma gema dos restos do cepo carbonizado. O velho ginkgo volta a rebentar, até se
transformar de novo na bela árvore que hoje podemos encontrar no centro da
Hiroshima reconstruída.
A longevidade e resistência desta árvore asiática parece estar de acordo com a
sua virtude de ajudar os humanos a enfrentar os transtornos da velhice.
A medicina chinesa tem vindo a usar, desde há quase 5000 anos, cataplasmas de
folhas de ginkgo para combater as incómodas frieiras. As suas notáveis
propriedades têm sido objecto de numerosas investigações científicas, e
actualmente faz parte de vários preparados farmacêuticos.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: As folhas contêm glicósidos flavonóides, quercitina,
luteolina, catequinas, resina, óleo essencial, lípidos e certas substâncias, do
grupo dos terpenos, específicas do ginkgo: bilobálico e ginkgólidos A, B e C.
Como é comum em fitoterapia, os efeitos da planta devem-se à acção conjunta de
todos os seus componentes, não tendo sido possível atribuir os efeitos do ginkgo
a nenhum deles em concreto.
O ginkgo actua sobre todo o sistema circulatório, melhorando tanto a circulação
arterial como a capilar e a venosa:
- Acção vasodilatadora: Aumenta a perfusão (irrigação sanguínea) diminuindo as
resistências periféricas nas pequenas artérias. Compensa em parte os transtornos
produzidos pela arteriosclerose.
- Acção protectora capilar: Diminui a permeabilidade dos capilares, reduzindo o
edema (acumulação de líquidos nos tecidos).
- Acção tónica venosa: Tonifica as paredes das veias, diminuindo a acumulação de
sangue nelas e facilitando o retorno sanguíneo.
São estas as suas indicações:
- Insuficiência circulatória (1) cerebral (falta de irrigação sanguínea no
cérebro), que se manifesta por vertigens, cefaleia, acufénios (zumbidos nos
ouvidos), perda do equilíbrio, transtornos da memória e sonolência, entre outros
sintomas. «Alivia a cabeça», afirmam aqueles que usam ginkgo.
- Sequelas de acidentes (1) vasculares cerebrais (tromboses, embolias, etc.):
Acelera a recuperação e melhora a motilidade destes pacientes.
- Arteriopatias dos membros inferiores (falta de irrigação nas pernas)
(1,2,3,4): permite andar maior distância sem ter de parar por motivo de dor.
- Angiopatias (doenças dos vasos sanguíneos) e transtornos vasomotores
(1,2,3,4): Doença de Reynaud, fragilidade vascular, acroparestesias (pés ou mãos
“dormentes”), frieiras.
- Varizes, flebites, pernas cansadas, edemas maleolares (tornozelos inchados)
(1,2,3,4).
Nestas afecções circulatórias, recomenda-se combinar o uso por via oral com as
aplicações externas (compressas, cataplasmas, manilúvios e pedilúvios).
O ginkgo tolera-se muito bem, não faz subir a pressão arterial e não apresenta
efeitos secundários indesejáveis.
PARTES UTILIZADAS: As folhas.
USO INTERNO
1 Infusão: 40-60 g de folhas por litro de água. Tomam-se 3 chávenas diárias.
USO EXTERNO
2 Compressas com a mesma infusão, embora mais concentrada (até 100 g por litro).
Aplicam-se sobre as mãos ou os pés com problemas circulatórios.
3 Cataplasmas de folhas esmagadas sobre a zona afectada.
4 Manilúvios (banhos de mãos) e pedilúvios (banhos de pés) com uma infusão de
até 100 g de folhas de ginkgo por cada litro de água. Aplicam-se tépidos ou
quentes, 1 a 2 vezes por dia.