O tom vermelho sanguíneo da beterraba dá um alegre colorido aos pratos de
salada e às batatas que tão apropriadamente acompanha. Terá a beterraba sangue
de verdade?
Isto poderiam pensar aqueles que, poucas horas depois de terem comido beterraba,
emitem urina ou fezes vermelhas como sangue. Que susto! Mas não se trata de
sangue, apenas de um pigmento peculiar desta planta, chamado betacianina.
Segundo um estudo levado a cabo na Universidade de Sheffield (Reino Unido), a
eliminação de urina ou fezes vermelhas após a ingestão de beterraba acontece em
10%-14% da população, e é mais frequente em caso de falta de ferro ou de má
absorção intestinal. Assim, se o leitor olhar surpreendido para a sanita depois
de ter comido beterraba, agradeça a esta simpática raiz por tê-lo avisado, com o
seu pigmento vermelho, de que possivelmente tem falta de ferro ou de que faz mal
as digestões.
No entanto, não se preocupe demasiado: a beterraba alerta-o para o seu problema
e, ao mesmo tempo, ajuda a solucioná-lo, graças à sua acção antianémica e
reguladora do aparelho digestivo.
A acção antianémica da beterraba é bem conhecida. Os seus conteúdos de ferro e
vitamina C, que favorece a absorção deste mineral, são mais modestos, e não
explicam por si só a notável acção antianémica da beterraba-vermelha. É provável
que algum dos seus componentes, ainda não bem identificado, actue estimulando a
hematopoiese (produção de células sanguíneas na medula óssea).
O maior efeito antianémico obtém-se tomando 50 a 100 ml de sumo cru fresco,
recém-obtido, antes das refeições, duas vezes por dia. Torna-se especialmente
indicado nas anemias que não respondem bem ao tratamento com ferro e que
costumam ser causadas por uma baixa produção de sangue na medula óssea.
O alto conteúdo da beterraba em sais minerais, especialmente de potássio, cálcio
e magnésio, explica o seu efeito alcalinizador sobre o sangue. É muito
recomendável em caso de gota, aumento do ácido úrico no sangue e alimentação
demasiado rica em produtos de origem animal, e pobre em vegetais.
A raiz da beterraba contém uma quantidade notável de fibra vegetal, que possui a
propriedade de facilitar o trânsito intestinal e, sobretudo, de reduzir o nível
de colesterol no sangue.
Outra das acções da beterraba é ser anticancerígena. O doutor Schneider refere
várias experiências feitas na Hungria e na Alemanha, nas quais se conseguiu a
redução ou o desaparecimento de tumores cancerosos após a administração diária
de 250 g de beterraba vermelha ralada, ou de 300-500 ml do seu sumo. Estes
efeitos produziram-se inclusivamente depois de se ter fervido e concentrado o
sumo para o tornar mais tolerável para o estômago, o que quer dizer que a
substância de acção anticancerígena é resistente à própria cocção.
É muito possível que as investigações que se estão a desenvolver actualmente
sobre os elementos fitoquímicos que se encontram nos vegetais venham a permitir
confirmar estas experiências e a identificar a substância anticancerígena da
beterraba.
* Extraído do livro A Saúde pela Alimentação, editado pela Publicadora
Atlântico, S.A.