Os rins? Ilustres desconhecidos para a maior parte de nós. Quando muito,
relacionamo-los com a urina e a diálise; para o resto é a ignorância absoluta.
Isso deve-se também à sua discreção, visto que trabalham em silêncio em
condições de saúde, mas estão prontos a lançar sinais bem precisos logo que
surjam problemas. Problemas que, geralmente, aparecem quando seguimos um estilo
de vida pouco equilibrado. Portanto, essa é uma lacuna que devemos colmatar.
Imaginemos, então, por um momento, que penetramos no interior do organismo,
transformando-nos em algo infinitamente pequeno, e, através da circulação
sanguínea, chegamos aos rins, para os conhecer mais de perto. Depois de uma
acidentada e feliz viagem, encontramo-nos na presença de duas glândulas de cor
vermelha escura e com forma ovóide. Observando bem, distinguimos que estão
colocadas aos lados da coluna vertebral, da qual distam apenas 5 cm. Cada rim
tem, para simplificar, a forma de um grande feijão, com cerca de 12 cm de
comprimento, 6 cm de largura e 3 de espessura. Mas aproximemo-nos mais, para
individualizar os elementos constitutivos. Entre eles, salientam-se os néfronios
(o seu número varia entre 1 e 2,5 milhões), que, por sua vez, incluem: os
glomérulos, que constituem a unidade elementar de filtragem do sangue, do qual
extraem água, glicose e sais minerais (electrólitos); os túbulos, nos quais
chega o sangue proveniente dos glomérulos. Os túbulos capturam outros elementos,
como o cálcio, o sódio e o potássio, enquanto eliminam através da urina diversos
resíduos, entre os quais assinalamos o ácido úrico, o azoto e a creatinina. Na
pessoa saudável formam-se diariamente cerca de 150-180 litros de pré-urina, a
qual é reabsorvida no sistema dos túbulos renais. No decurso das 24 horas são
eliminados 1-1,5 litros de urina.
Um jogo de equipa
Mas as surpresas não acabam aqui. O rim é a clara demonstração de que no corpo
humano nenhum órgão trabalha por sua conta, isolado dos outros. O jogo de equipa
é perfeito: se não fosse assim, os prejuízos seriam notáveis. E, em nome dessa
regra férrea, os rins, juntamente com o fígado, outra glândula, desempenham o
delicadíssimo e fundamental papel de filtros. A função? A principal é a de
produzir as urinas, que são o resultado de um processo articulado que actua em
duas fases distintas: limpeza do sangue com extracção das substâncias
indispensáveis, eliminando as que não têm o mínimo interesse. Em definitivo, o
rim actua como um verdadeiro aparelho de depuração e tem um trabalho importante
de desintoxicação: o de eliminar as substâncias circulantes fisiologicamente
activas, ou seja, capazes de modificar radicalmente o funcionamento dos órgãos e
dos tecidos. Mas, para que isto possa acontecer, esta central de depuração
precisa da água: o precioso líquido que lhe permite limpar as impurezas do seu
corpo.
Entre essas substâncias activas encontram-se: as hormonas elaboradas pelas
glândulas endócrinas, os fármacos ingeridos durante eventuais tratamentos
médicos e os compostos de valência nociva, incidentalmente introduzidos no corpo
com a alimentação.
A propósito disso, recordamos que as propriedades desintoxicantes do rim nos
confrontos com numerosas substâncias são potenciadas por sofisticados fenómenos
que aceleram a passagem dos componentes tóxicos para a urina. Porque todas as
funções renais actuam realmente através de um único mecanismo: a formação de
urina.
A urina produzida pelos rins vai depositar-se em duas cavidades (bacinetes), que
se encontram em cada rim; imediatamente depois, servindo-se de dois tubinhos
(ureteres) chega à bexiga (recolhe a urina), para depois ser expulsa para o
exterior, mediante aquilo a que chamamos o canal uretral.
Mas as tarefas executadas pelos rins não terminam aqui: produzem hormonas que
entram na formação dos glóbulos vermelhos; isolam a vitamina D, essencial para a
absorção do cálcio nos ossos; mantêm em níveis normais a pressão arterial.
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A alimentação indicada
Mas este delicado e maravilhoso mecanismo só funciona perfeitamente se se seguir
uma alimentação adequada e se tivermos um estilo de vida de acordo com a
natureza.
Hoje, com demasiada frequência, a alimentação baseia-se numa overdose de
gorduras e proteínas e em alimentos cheios de substâncias de síntese química.
Enchemo-nos de tóxicos que vão interferir com a actividade renal, alterando o
seu funcionamento. Por isso, é bom, antes de mais, aprender a não nos
empanturrarmos. Está provado que, nos seres humanos, os benefícios da
alimentação com o nível certo de calorias determinaria, além do prolongamento da
vida, também a prevenção das doenças cardiovasculares, da diabetes, da
insuficiência renal e do cancro.
Tudo seria ainda melhor com a prática do vegetarianismo. Trata-se de uma
alimentação baseada em alimentos que estimulam um bom metabolismo, que garante a
ingestão de nutrientes de alta qualidade biológica e que permite a eliminação
das toxinas (para as regras de ouro no campo alimentar, ver caixa na pág. 26).
O equilíbrio psicofísico
Mas também devemos acrescentar que a saúde perfeita dos rins não se reduz a
simples regras dietéticas, que devem ser postas em prática, porque no corpo, com
o passar do tempo, criam-se fissuras, mas também se deve ter em conta o stresse
físico e psíquico.
O stresse é certamente um inimigo da saúde. Uma certa dose de tensão é, na
verdade, necessária, mas é imprescindível um justo equilíbrio entre estímulo e
pausas de repouso físico-mental; de outro modo, a situação torna-se
insustentável.
Em resumo, face a uma situação geral de perigo, o corpo humano procura
adaptar-se: demasiadas preocupações, exigências e acontecimentos põem-no em
estado de alerta. Nesse ponto entram em acção as glândulas supra-renais, que
aumentam a secreção de adrenalina e de cortisona, hormonas que reforçam as
defesas do organismo, mas que nem sempre cumprem essa sua função suplementar,
determinando um debilitamento do sistema imunitário. Daí surge uma grande
quantidade de doenças. Que fazer? É imperioso melhorar a qualidade de vida e não
esquecer que a parte psíquica é fundamental para fazer ‘florescer’ o organismo:
concedam-se a vocês mesmos pausas no trabalho, passeatas no campo e nos parques
citadinos, cultivem a convivialidade. “Os rins representam a capacidade de pôr
em pé relacionamentos sociais e de pertencer a um grupo. O aparecimento de
conflitos relacionais desencadeia as doenças que podem atingir este aparelho. Os
órgãos duplos do corpo estão sempre relacionados com a sociabilidade, num
sentido lato. Os rins garantem o equilíbrio ácido-básico do corpo, conciliando
os opostos”, diz a psicóloga Anna Zanardi, autora de A linguagem dos órgãos
(pág. 161, Techniche Nuove).
A água faz trabalhar mais os rins. Ajuda na purificação do sangue. Se não se
beber a quantidade adequada, e de maneira regular, corre-se o risco de irmos ao
encontro de vários problemas de saúde, por exemplo, cálculos renais.
Se a urina se apresenta sempre de cor amarela, é um indício de que alguma coisa
não está bem. A razão? Deve haver pelo menos quatro micções límpidas por dia.
Por isso, beber a pequenos golos até 2 litros de água por dia.
As vantagens de beber água não se farão sentir só na epiderme, mas em todo o
corpo, a começar pela maior fluidez do sangue e pela dispersão de todos os
elementos do corpo. É de sublinhar que a regra áurea é beber a pequenos golos e
em pequena quantidade. Ingerir grandes quantidades de água não serve de muito: é
imediatamente eliminada pelos rins. Quem tem problemas de rins ou quer
preservá-los deve ter em conta a leveza da água mineral. Esta última não está
relacionada com a maior ou menor quantidade de gás (anidrido carbónico)
dissolvido naturalmente ou acrescentado, mas com a quantidade de sais minerais
presentes. A quantidade de sais dissolvida num litro de água é definida
cientificamente como ‘resíduo sólido a 1800’. Quanto menos forem os sais
minerais contidos, mais leve é a água. Para compreender quão leve é uma água
basta ler a etiqueta: obrigatoriamente ali se deve informar o resíduo sólido a
1800, medido em miligramas por litro (mg/-). Quanto mais baixo for o resíduo
sólido, mais leve é a água. Assim, para conhecer os efeitos sobre os rins e o
organismo, deve ter atenção às características indicadas na etiqueta.
Os sais. É possível fazer uma primeira distinção tendo em conta a quantidade e a
qualidade dos sais contidos. Cada sal, de facto, actua sobre a saúde com base na
dose.
Vejamos os sinais com que se manifestam algumas disfunções renais. Os
sintomas mais evidentes estão ligados às características da urina (falamos nelas
numa outra caixa deste artigo) e os mais complicados são atribuíveis aos rins. É
evidente que onde se faz referência a algumas terapias naturais, se trata de
simples conselhos gerais. Para eliminar o problema é imperioso consultar o nefrologista e o fitoterapeuta.
Insuficiência renal. Incapacidade progressiva do rim de assegurar as suas
funções habituais: eliminar na urina certas substâncias residuais (por exemplo,
a creatinina, a ureia, o ácido úrico), reduzir o excesso de água e de diversos
sais minerais (potássio, fósforo e sódio) ingeridos sob forma de alimentos,
sintetizar eritropoietina, ou a vitamina D activa, duas substâncias
indispensáveis para o organismo. O nível da insuficiência renal mede--se pela
concentração de creatinina no sangue (creatininemia): vai além dos valores
normais quando é de 1,2-1,3 mg/dl. Fala-se de insuficiência renal moderada
quando o valor de creatinina é inferior a 3 mg/dl e de insuficiência renal grave
além deste valor. Divide-se em aguda – brusca redução da funcionalidade renal,
com prognóstico que depende da natureza da doença que a provocou; e crónica –
progressiva deterioração da funcionalidade renal, que é acompanhada por sintomas
ligados à não eliminação dos tóxicos.
Como se trata. O nefrologista ou o dietista dá alguns conselhos alimentares: o
regime alimentar deve fornecer 0,8-1g de proteínas por cada quilo de peso
corpóreo por dia. Os alimentos ricos em potássio devem ser evitados ou
preparados de maneira especial. São úteis as integrações de vitamina D e os
suplementos de cálcio. A eritropoietina pode-se administrar facilmente por via
subcutânea. Comer abundantemente verduras frescas, cereais, caldos de verduras e
tisanas.
Que alimentos comer mais. Alho, cebola, alho francês, couve, alcachofra,
dente-de-leão, grão, maçã, toranja, melão, uva, salsa.
Gota. No passado, era chamada ‘a doença dos reis’, porque só os ricos eram
atingidos por ela. Hoje, interessa a quem acumula doses excessivas de ácido úrico, substância química presente na urina, ou se os rins não conseguem
eliminar o excesso. Nesse caso, forma-se ácido úrico, que se vai depositar nas
articulações, onde provoca dor intensa. Em geral, é primeiro afectada a
articulação do dedo grande do pé. No banco dos réus estão as bebidas alcoólicas,
hiperconsumo de carne, molhos e outros alimentos ricos em purinas (excesso de
proteínas).
Que alimentos evitar. Anchovas, espargos, cogumelos, fígado, rojões, miudezas.
Que alimentos comer mais. Recomenda-se beber muita água, sumos de fruta,
mirtilos, cerejas e seguir um regime vegetariano.
Nefrite. Inflamação grave dos rins.
Como se trata. A terapia é da estrita competência do médico. Alguns conselhos
para aliviar os sintomas: seguir um regime alimentar líquido, tisanas,
centrifugados de fruta, caldo vegetal, retirando as verduras.
Que alimentos comer mais. Cebola, alho francês, cenoura, alcachofra, couve,
abóbora, dente-de-leão, funcho, cevada, maçã, morangos, framboesas, groselhas,
uvas, tomilho.
Cistite. Trata-se de uma inflamação da bexiga que se manifesta com uma sensação
de ardor no momento de urinar, com um aumento da frequência e da urgência de ir
urinar. Como causa do problema, que pode durar anos ou que pode ser
intermitente, estão as bactérias Escherichia coli, que usualmente colonizam o
intestino, e que podem migrar nas vias urinárias, atacando as paredes da bexiga
e multiplicando-se rapidamente. É o distúrbio mais frequente que afecta as
senhoras. Entre 20 e 30 por cento das mulheres sofre deste problema pelo menos
uma vez por ano.
Como se trata. A medicina alopática recorre aos antibióticos, mas uma
alimentação adequada pode representar uma vantagem notável: muitos alimentos
combatem a difusão destas bactérias na bexiga, reduzindo assim o risco de
recaídas.
Que alimentos evitar. Os que tornam a urina demasiado ácida: cebola, queijos
curados, chocolate, favas, tomate e soja, incluindo os alimentos dela oriundos,
como o tofu.
Que alimentos comer mais. Alho, couve, funcho, maçã, mirtilo, cevada, pólen,
alho francês, tomilho, uva, iogurte. Beber muita água: começando com dois copos
de água ligeiramente mineral não gasosa, logo ao levantar, e continuando depois
durante todo o dia, até atingir os dois litros nas 24 horas. São surpreendentes
os benefícios do sumo de mirtilo, o remédio alimentar mais conhecido na medicina
popular. Além de em forma de sumo, pode ser ingerido como fruta, com um pouco de
sumo de limão e meia colherzinha de mel, ou ao pequeno-almoço, misturado com
iogurte.
Calculose (ou litÍase). Os cálculos aparecem em cerca de 20 por cento das
pessoas. Não se lhes conhece exactamente a causa. Pensa-se que sejam favorecidos
por uma composição especial da urina ou por deformidades especiais das cavidades
renais. Os sintomas? Dores e hematúria (sangue na urina).
Como se trata. Para além das intervenções estritamente médicas, é obrigatório
que as pessoas predispostas se assegurem de ingerir uma abundante quantidade de
líquidos. Beber pelo menos dois litros de água ligeiramente mineral por dia. Não
comer em excesso alimentos demasiado ricos em proteínas e gorduras (carne,
peixe, ovos, etc.), dar preferência aos cereais integrais, à fruta e à verdura.
Beber sumo de mirtilo, pelo menos dois copos por dia.
Que alimentos comer mais. Alho, cebola, alho francês, aveia, grão, couve, nabo,
dente-de-leão, salsa, cerejas, aipo, morangos, limão, maçã, groselha, uva.
Análises de sangue
- Como se fazem
Trata-se de se submeter a uma normalíssima tiragem de sangue.
- O que verifica
Permite verificar a quantidade e as condições das células que formam o sangue.
Fundamentais para despistar eventuais problemas são sobretudo o sódio (os
valores normais estão entre os 135-145 miliequivalentes por litro de sangue), o
potássio (valores normais entre os 3,50 e os 5,30 miliequivalentes por litro de
sangue), azoto (valores normais compreendidos entre 10 e 35 miligramas por
decilitro de sangue), creatinina (valores normais entre 0,60 e 1,20 miligramas
por decilitro de sangue).
Exame da urina
- Como se faz
É feito através de uma amostra de urina acabada de recolher. Se se quiser fazer
uma urinocultura, não recolha o primeiro jacto de urina (lava a uretra da
eventual presença de germes), mas a urina que sai imediatamente depois.
- O que verifica
Assinala se existem de facto alterações físico-químicas da urina. Rins em boa
saúde dão urina amarelo-palha, com um pH (coeficiente que mede o nível
ácido-base) que oscila entre 5 e 8 e que não contém sangue, minerais, glicose e
altos níveis de proteínas.

Urinocultura
- Como se faz
Entregando ao laboratório de análises uma amostra estéril da própria urina. Para
ter resultados fiáveis é aconselhado lavar os genitais externos cuidadosamente,
enxaguando-os bem, para remover qualquer traço de sabão.
- O que verifica
Assinala se há uma infecção nas vias urinárias e no aparelho genital. Descobre o
germe responsável pelos problemas. Pode falar-se de uma infecção nas vias
urinárias se o exame tem resultados positivos.
Ecografia abdominal
- Como se faz
Permite visualizar todos os órgãos do abdómen: o paciente deita-se numa
marquesa, o médico aplica um gel no abdómen e em seguida apoia uma sonda de
ultra-sons.
- O que verifica
Verifica a presença de cálculos renais.
Radiografia SIMPLES do ABDÓMEN
- Como se faz
Faz-se a radiografia sem recorrer a nenhum meio de contraste.
- O que verifica
Permite verificar possíveis alterações dos rins e a presença de cálculos ditos
radiopacos.
Se
nos vossos rins tudo estiver bem, então a urina apresenta-se límpida, de cor
amarela de palha. Neste ponto, as medicinas convencional e não convencional
concordam plenamente. A mudança de cor deve ser interpretada como uma verdadeira
sineta de alarme e, se não voltar ao normal, deve consultar-se rapidamente um
especialista.
- Vermelha, clara ou escura, é possível que assinale vestígios de sangue:
desde a simples contaminação pelo fluxo menstrual, até à presença de algum
pequeno cálculo renal, da cistite à porfiria congénita (alteração do metabolismo
de algumas substâncias que são precursoras da hemoglobina), para chegar às
inflamações crónicas ou tumores da bexiga ou dos ureteres. Mas atenção, pode
depender também dos fármacos e dos alimentos (beterraba vermelha, sésamo, etc.).
- Vermelho-alaranjada, assinala urobilina em excesso: patologias
hepáticas ou do sangue (alteração do funcionamento do fígado, hepatite viral,
cirrose, anemia grave).
- Castanho-escura, a culpa poderia ser de cálculos no aparelho urinário.
- Esbranquiçada, se estiver presente pus, é indicadora de infecção do
tipo cistite.
- Amarela forte, geralmente é provocada por tratamentos à base de
vitaminas do grupo B.
S&L
Walter Belli