problemas no útero
Pergunta:
Existe algum outro tipo de cancro que se manifeste no útero, além do cancro do
colo do útero, do qual se ouve falar? M.A.N. – Espanha
Resposta: Resposta: O útero é um órgão do
aparelho reprodutor feminino, e está dividido, para fins de estudo, devido à sua
localização, em dois segmentos: o corpo e o colo uterino. O colo uterino é a
parte que está em contacto com a vagina, visualizado por ocasião da consulta com
o ginecologista, quando este faz o exame preventivo do cancro. O corpo é a parte
mais interna, que fica no baixo-ventre, sem contacto com a vagina e que não é
visualizado no exame ginecológico.
Por ser mais comum, o cancro do colo do útero é mais conhecido. O cancro do
corpo do útero, em especial o do endométrio (camada interna dessa parte), é o
tumor maligno genital mais frequente nos países desenvolvidos, que promoveram
programas de prevenção do cancro do colo. É mais comum em idades avançadas,
sendo o pico entre os 58 e os 60 anos. O aumento da sua frequência nos países
desenvolvidos também se percebe devido ao aumento da longevidade. O tipo mais
comum ocorre na camada mais interna, o endométrio, e geralmente está relacionada
com a administração de hormonas do tipo estrogénio sem o uso do seu antagónico,
a progesterona. Não é fácil detectar o cancro do endométrio precocemente, como
acontece com o cancro do colo do útero.
Existem alguns factores de risco do cancro do endométrio. Um deles é a
obesidade, em especial na mulher branca. A gordura faz parte de uma das fases de
produção do estrogénio nas obesas, favorecendo o crescimento do endométrio, ou
hiperplasia endometrial, levando ao aparecimento do tumor. As doenças como a
diabetes e a hipertensão, que frequentemente estão relacionadas com a obesidade,
são factores que também elevam o risco do cancro do endométrio. As situações de
exposição aumentada do endométrio ocorrem em condições como menstruação precoce,
menopausa tardia, redução e adiamento da gestação, uso de pílulas
anticoncepcionais durante longos períodos, em especial devido ao início precoce
da actividade sexual e o uso indiscriminado das hormonas estrogénicas. Um exame
que ajuda a avaliar esse quadro é a ultra-sonografia transvaginal.
Liliana Deucher Dutra
Ginecologista e Mastologista.