Informação / Fevereiro 2004

A S&L... Navegou Por Si: Um Olhar Sobre os Problemas Ligados ao Álcool

Os PLA (problemas ligados ao álcool) é uma das áreas na qual qualquer pessoa e profissional de saúde carece de uma informação acurada e fidedigna. A evolução dos estudos relacionados com o álcool estabeleceram um leque muito variado de conhecimentos que se encontram agora disponíveis em CDRom. Produzido pelo Centro Regional de Alcoologia do Centro Maria Lucília Mercês de Mello, este trabalho, focalizando a problemática da alcoologia, é intitulado “Um olhar sobre os problemas ligados ao álcool”. Com este instrumento de trabalho é possível caracterizar quando o consumo de álcool representa um problema. Reporta ainda os meios que existem para evitar o uso inoportuno, bem como prevenir as complicações de um consumo abusivo e crónico. Compreender os mecanismos do adoecer e encontrar abordagens preventivas e curativas são fundamentais para aqueles que desenvolvem a sua actividade com pessoas com PLA, quer seja ao nível da família, do Centro de Saúde, Hospital, Escola, Empresa, Tribunal ou Polícia. Para mais informações consulte em www.crac.min-saude.pt  ou através do tel 239 79 37 10, os produtores deste trabalho.


SIDA: Outra Fonte de Terror”

Esta afirmação do nosso Presidente da República na ONU é bem sintomática do peso humano e social que esta epidemia está a ter na sociedade humana. A Sida matou 3,2 milhões de pessoas em 2002, isto é, mais de 10.000 pessoas por dia, uma pessoa em cada 10 segundos. Calcula-se que cinco milhões de pessoas contraíram a imunodeficiência humana (Sida) só em 2002, sendo 800 mil crianças e dois milhões de mulheres, aumentando para 42 milhões o número de pessoas que, em todo o Mundo, vivem com o vírus desta doença (HIV). Destas, 38,6 milhões são adultos, 19,2 milhões são mulheres e 3,2 milhões são crianças com menos de 15 anos de idade.
A África do Sul é o país mais afectado (cinco milhões de pessoas com HIV/SIDA) seguindo-se um numeroso grupo de países africanos, que inclui Moçambique.
Já na terceira década da epidemia, o impacto desta doença é indesmentível nos países mais afectados e carenciados, pois rouba-lhes os recursos e os braços de que dependem para o seu desenvolvimento e subsistência. Os preços proibitivos dos antiretrovirais, medicamentos indispensáveis para o combate à doença, contribuem para o alastramento da epidemia nos países mais problemáticos. Em África, apenas um em cada 10 infectados tem acesso à medicação e só um em cada 100 grávidas com o HIV tem acesso aos cuidados de saúde, de forma a impedir que o vírus se transmita ao filho.
Segundo a organização da ONU para o combate às epidemias (ONUSIDA), só nos 25 países mais atingidos pela doença cerca de 7 milhões de trabalhadores rurais morreram, com Sida, desde 1985. O resultado é a fome, “o que leva muitas pessoas desesperadas por conseguir alimentos a migrarem para as zonas urbanas, onde muitas se envolvem na prostituição, expondo-se mais à infecção pelo HIV”.
A doença, para além de afectar a vida social dos países mais problemáticos também os afecta politicamente, pois calcula-se que 60% dos soldados africanos serão seropositivos, o que seguramente afecta a segurança e estabilidade dos países afectados.
Portugal, felizmente bem longe deste quadro é, no entanto, o país da União Europeia com maior taxa de seropositivos, calculando-se que o seu número possa atingir neste momento (números não oficiais) os 50 000.
A boa notícia será que tem havido uma redução substancial dos custos dos antiretrovirais, sendo que o tratamento está disponível, em alguns dos países mais pobres do mundo, por um euro, ou menos, por dia o que pode dar alguma esperança no combate a esta doença.

 

* Notícias Médicas/SL


O Preço do Tabagismo na Criança e no Adolescente

A dependência do tabaco é uma doença frequente nos Estados Unidos da América, com início na infância e na adolescência. Apesar dos avisos sobre a sua perigosidade, 25% da população fuma regularmente. O consumo do tabaco mata 2,5 vezes mais indivíduos do que o álcool e a toxicodependência combinados. De acordo com dados da OMS, há mais de 1 bilião de fumadores em todo o mundo, ocorrendo 10 000 mortes por dia relacionadas com o tabaco. Nos Estados Unidos, 43% das crianças entre os 2 e os 11 anos estão expostas ao fumo do tabaco no ambiente, o que tem sido implicado na síndroma da morte súbita do lactente, no baixo peso ao nascer, na asma, nas otites, na pneumonia, na tosse e nas infecções das vias respiratórias superiores, que as podem afectar.
Nos Estados Unidos, todos os dias 6000 jovens começam a fumar, o que corresponde a um aumento de 50% desde 1988. Metade destes jovens virão a ser fumadores diários. Surpreendentemente, as taxas de tabagismo entre os jovens das zonas rurais são mais elevadas que nos jovens das zonas urbanas.
A dependência da nicotina constitui a consequência quase inevitável do consumo (mesmo esporádico) do tabaco. Uma puxada num cigarro resulta num pico dos níveis de nicotina no cérebro em 10 segundos, activando o circuito cerebral que regula o prazer e aumentando o nível de dopamina (mediador químico do cérebro). Noventa por cento dos que virão a ser fumadores regulares começaram a fumar antes dos 19 anos, sendo a dependência frequente após fumar apenas 100 cigarros.
A dependência da nicotina é uma doença crónica primária, havendo factores genéticos, psicossociais e ambientais a influenciar o seu desenvolvimento e manifestações. A adição à nicotina em adolescentes é tão grave como nos adultos, tendo aqueles igual dificuldade em deixar de fumar.
As grávidas que fumam deverão estar cientes dos riscos para o seu filho, nomeadamente aborto expontâneo, baixo peso de nascimento, síndroma da morte súbita do lactente e problemas cognitivos e comportamentais da criança a longo prazo, incluindo menor inteligência e défice de atenção, com ou sem hiperactividade. Investigações recentes sugerem que algumas crianças nascidas de mães que fumaram durante a gravidez têm mais receptores de nicotina no cérebro. As consequências poderão ser uma maior apetência para essas crianças, mais tarde, se tornarem dependentes da mesma.
Tanto nos adultos como nos adolescentes, o tabagismo está estatisticamente associado a depressão, ansiedade, perturbação de hiperactividade com défice de atenção e outras perturbações do foro psiquiátrico.
O consumo de tabaco associa-se, frequentemente, a mau desempenho escolar, desmotivação, consumo de álcool e outras drogas, absentismo escolar e desistência antecipada. A nicotina é, muitas vezes, a primeira substância a ser consumida por crianças e jovens. Os que a consomem têm 15 vezes mais probabilidade de progredir para o consumo de outras drogas em relação aos que nunca fumaram.
A prevenção é, sem dúvida, a grande arma no combate a esta pandemia e que deve ser sobretudo utilizada por todos aqueles que lidam e se preocupam com a saúde das crianças e adolescentes: pais, educadores e médicos.
Dirigido, em especial, a todos os clínicos que lidam com crianças e adolescentes (pediatras e médicos de família), mas que pode ser uma orientação para outros técnicos, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos apresenta um programa em 6 pontos que seria muito útil que pudesse ser seguido entre nós:
1º - ANTECIPAR: prestar toda a informação sobre os malefícios do tabaco, a pais e crianças. Elogiar as crianças e adolescentes que não fumam.
2º - PERGUNTAR: inquirir sobre a exposição ao fumo de tabaco ambiental e ao consumo de tabaco pelos pais, crianças e jovens.
3º - ACONSELHAR: mensagens claras, pessoais e incisivas, aconselhando pais e jovens a deixarem de fumar.
4º - AVALIAR: avaliar se o fumador está pronto a deixar de o ser.
5º - APOIAR: dirigir auto-ajuda e informação sobre centros de referência aos que estão prontos para deixar de fumar.
6º - ACOMPANHAMENTO: programar entrevistas de acompanhamento para melhorar a motivação e dar coragem e ajuda na prevenção das recaídas aos que deixarem de fumar.
 

* Pediatrics (ed. Portuguesa)/SL

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