A S&L... Navegou Por Si: “Um Olhar Sobre os Problemas Ligados ao Álcool”
Os PLA (problemas ligados ao álcool) é uma das áreas
na qual qualquer pessoa e profissional de saúde carece de uma informação acurada
e fidedigna. A evolução dos estudos relacionados com o álcool estabeleceram um
leque muito variado de conhecimentos que se encontram agora disponíveis em
CDRom. Produzido pelo Centro Regional de Alcoologia do Centro Maria Lucília
Mercês de Mello, este trabalho, focalizando a problemática da alcoologia, é
intitulado “Um olhar sobre os problemas ligados ao álcool”. Com este instrumento
de trabalho é possível caracterizar quando o consumo de álcool representa um
problema. Reporta ainda os meios que existem para evitar o uso inoportuno, bem
como prevenir as complicações de um consumo abusivo e crónico. Compreender os
mecanismos do adoecer e encontrar abordagens preventivas e curativas são
fundamentais para aqueles que desenvolvem a sua actividade com pessoas com PLA,
quer seja ao nível da família, do Centro de Saúde, Hospital, Escola, Empresa,
Tribunal ou Polícia. Para mais informações consulte em
www.crac.min-saude.pt ou
através do tel 239 79 37 10, os produtores deste trabalho.
“SIDA: Outra Fonte de Terror”
Esta afirmação do nosso Presidente da República na
ONU é bem sintomática do peso humano e social que esta epidemia está a ter na
sociedade humana. A Sida matou 3,2 milhões de pessoas em 2002, isto é, mais de
10.000 pessoas por dia, uma pessoa em cada 10 segundos. Calcula-se que cinco
milhões de pessoas contraíram a imunodeficiência humana (Sida) só em 2002, sendo
800 mil crianças e dois milhões de mulheres, aumentando para 42 milhões o número
de pessoas que, em todo o Mundo, vivem com o vírus desta doença (HIV). Destas,
38,6 milhões são adultos, 19,2 milhões são mulheres e 3,2 milhões são crianças
com menos de 15 anos de idade.
A África do Sul é o país mais afectado (cinco milhões de pessoas com HIV/SIDA)
seguindo-se um numeroso grupo de países africanos, que inclui Moçambique.
Já na terceira década da epidemia, o impacto desta doença é indesmentível nos
países mais afectados e carenciados, pois rouba-lhes os recursos e os braços de
que dependem para o seu desenvolvimento e subsistência. Os preços proibitivos
dos antiretrovirais, medicamentos indispensáveis para o combate à doença,
contribuem para o alastramento da epidemia nos países mais problemáticos. Em
África, apenas um em cada 10 infectados tem acesso à medicação e só um em cada
100 grávidas com o HIV tem acesso aos cuidados de saúde, de forma a impedir que
o vírus se transmita ao filho.
Segundo a organização da ONU para o combate às epidemias (ONUSIDA), só nos 25
países mais atingidos pela doença cerca de 7 milhões de trabalhadores rurais
morreram, com Sida, desde 1985. O resultado é a fome, “o que leva muitas pessoas
desesperadas por conseguir alimentos a migrarem para as zonas urbanas, onde
muitas se envolvem na prostituição, expondo-se mais à infecção pelo HIV”.
A doença, para além de afectar a vida social dos países mais problemáticos
também os afecta politicamente, pois calcula-se que 60% dos soldados africanos
serão seropositivos, o que seguramente afecta a segurança e estabilidade dos
países afectados.
Portugal, felizmente bem longe deste quadro é, no entanto, o país da União
Europeia com maior taxa de seropositivos, calculando-se que o seu número possa
atingir neste momento (números não oficiais) os 50 000.
A boa notícia será que tem havido uma redução substancial dos custos dos
antiretrovirais, sendo que o tratamento está disponível, em alguns dos países
mais pobres do mundo, por um euro, ou menos, por dia o que pode dar alguma
esperança no combate a esta doença.
* Notícias Médicas/SL
O Preço do Tabagismo na Criança e no Adolescente
A dependência do tabaco é uma doença frequente nos
Estados Unidos da América, com início na infância e na adolescência. Apesar dos
avisos sobre a sua perigosidade, 25% da população fuma regularmente. O consumo
do tabaco mata 2,5 vezes mais indivíduos do que o álcool e a toxicodependência
combinados. De acordo com dados da OMS, há mais de 1 bilião de fumadores em todo
o mundo, ocorrendo 10 000 mortes por dia relacionadas com o tabaco. Nos Estados
Unidos, 43% das crianças entre os 2 e os 11 anos estão expostas ao fumo do
tabaco no ambiente, o que tem sido implicado na síndroma da morte súbita do
lactente, no baixo peso ao nascer, na asma, nas otites, na pneumonia, na tosse e
nas infecções das vias respiratórias superiores, que as podem afectar.
Nos Estados Unidos, todos os dias 6000 jovens começam a fumar, o que corresponde
a um aumento de 50% desde 1988. Metade destes jovens virão a ser fumadores
diários. Surpreendentemente, as taxas de tabagismo entre os jovens das zonas
rurais são mais elevadas que nos jovens das zonas urbanas.
A dependência da nicotina constitui a consequência quase inevitável do consumo
(mesmo esporádico) do tabaco. Uma puxada num cigarro resulta num pico dos níveis
de nicotina no cérebro em 10 segundos, activando o circuito cerebral que regula
o prazer e aumentando o nível de dopamina (mediador químico do cérebro).
Noventa
por cento dos que virão a ser fumadores regulares começaram a fumar antes dos 19
anos, sendo a dependência frequente após fumar apenas 100 cigarros.
A dependência da nicotina é uma doença crónica primária, havendo factores
genéticos, psicossociais e ambientais a influenciar o seu desenvolvimento e
manifestações. A adição à nicotina em adolescentes é tão grave como nos adultos,
tendo aqueles igual dificuldade em deixar de fumar.
As grávidas que fumam deverão estar cientes dos riscos para o seu filho,
nomeadamente aborto expontâneo, baixo peso de nascimento, síndroma da morte
súbita do lactente e problemas cognitivos e comportamentais da criança a longo
prazo, incluindo menor inteligência e défice de atenção, com ou sem
hiperactividade. Investigações recentes sugerem que algumas crianças nascidas de
mães que fumaram durante a gravidez têm mais receptores de nicotina no cérebro.
As consequências poderão ser uma maior apetência para essas crianças, mais
tarde, se tornarem dependentes da mesma.
Tanto nos adultos como nos adolescentes, o tabagismo está estatisticamente
associado a depressão, ansiedade, perturbação de hiperactividade com défice de
atenção e outras perturbações do foro psiquiátrico.
O consumo de tabaco associa-se, frequentemente, a mau desempenho escolar,
desmotivação, consumo de álcool e outras drogas, absentismo escolar e
desistência antecipada. A nicotina é, muitas vezes, a primeira substância a ser
consumida por crianças e jovens. Os que a consomem têm 15 vezes mais
probabilidade de progredir para o consumo de outras drogas em relação aos que
nunca fumaram.
A prevenção é, sem dúvida, a grande arma no combate a esta pandemia e que deve
ser sobretudo utilizada por todos aqueles que lidam e se preocupam com a saúde
das crianças e adolescentes: pais, educadores e médicos.
Dirigido, em especial, a todos os clínicos que lidam com crianças e adolescentes
(pediatras e médicos de família), mas que pode ser uma orientação para outros
técnicos, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos apresenta um programa
em 6 pontos que seria muito útil que pudesse ser seguido entre nós:
1º - ANTECIPAR: prestar toda a informação sobre os malefícios do tabaco, a pais
e crianças. Elogiar as crianças e adolescentes que não fumam.
2º - PERGUNTAR: inquirir sobre a exposição ao fumo de tabaco ambiental e ao
consumo de tabaco pelos pais, crianças e jovens.
3º - ACONSELHAR: mensagens claras, pessoais e incisivas, aconselhando pais e
jovens a deixarem de fumar.
4º - AVALIAR: avaliar se o fumador está pronto a deixar de o ser.
5º - APOIAR: dirigir auto-ajuda e informação sobre centros de referência aos que
estão prontos para deixar de fumar.
6º - ACOMPANHAMENTO: programar entrevistas de acompanhamento para melhorar a
motivação e dar coragem e ajuda na prevenção das recaídas aos que deixarem de
fumar.
* Pediatrics (ed. Portuguesa)/SL