Vida Familiar / Fevereiro 2004

Como tratar os filhos do divórcio

CONSELHOS para pais que vão divorciar-se

1. A ruptura da família é um problema grave para a maioria dos filhos, não obstante o benefício que implica o fim das zangas entre os pais e a dor causada pelos conflitos matrimoniais. Os filhos necessitam de uma relação estável e positiva, com ambos os pais, para um adequado e saudável desenvolvimento psicológico e social.
2. Os pais deverão fazer um esforço muito especial para criar as condições apropriadas que reduzam o stresse e o sofrimento dos seus filhos. Também devem dar-lhes o apoio psicossocial necessário que lhes permita manejar adequadamente as inevitáveis privações que lhes causará a ruptura familiar.
3. Imediatamente após tomarem a decisão de se divorciarem e de terem decidido sobre a custódia e o regime de visitas, deverão reunir-se com os seus filhos e informá-los, juntos, acerca das decisões tomadas. Afirmem-lhes que continuarão a amá-los embora os pais tenham deixado de se querer, que cada pai deseja que os filhos continuem a manter boas relações com o outro e que cada um ajudará os filhos a superar os inevitáveis problemas que lhes causará a separação e o viver em casas separadas.
4. Os pais devem permitir aos seus filhos que expressem de forma livre e aberta a sua possível oposição ao divórcio e os seus sentimentos negativos a esse respeito, a sua tristeza e a sua dor, a sua raiva, a sua insegurança. Os pais deverão ajudar os seus filhos a enfrentar os meses turbulentos que se seguem à separação. Deverão conseguir acordos, no seu divórcio, que protejam os interesses dos seus filhos. Se necessário, devem procurar a ajuda de um mediador mutuamente acordado. As regras deverão incluir a garantia de um contacto contínuo e estreito entre os filhos e o pai na custódia para conseguir que funcione como um pai autêntico, que alimenta, educa, cuida e acarinha os seus filhos, por exemplo, e não simplesmente como um hospedeiro que os filhos visitam com o intuito de passar um tempo divertido.

 

COMO INFORMAR OS FILHOS ACERCA DO DIVÓRCIO DOS PAIS

1. Os pais já não conseguem conviver de forma pacífica um com o outro e, portanto, decidiram divorciar-se e viver em casas separadas. Deixaram de ser marido e mulher. O divórcio não aconteceu por nada que os filhos tenham feito; eles não são responsáveis pela situação.
2. Os pais têm a intenção de continuar a funcionar, para com os seus filhos, de forma estável como pai e mãe durante o resto da sua vida. (Inclusivamente no caso de se voltarem a casar e terem filhos do novo matrimónio).
3. Os filhos viverão a maior parte do tempo com a mãe (ou o pai se este detiver a custódia) e visitarão o pai de forma regular todas as semanas. Os pais desejam que os filhos continuem a manter um bom relacionamento com ambos.
4. O divórcio é permanente. Mesmo que os pais, no futuro, se venham a dar de forma amigável, continuarão a viver separados.
5. Os pais pensam que talvez os filhos se oponham ao divórcio; essa decisão não está nas suas mãos e nada podem fazer para a alterarem.
6. Os pais compreendem que os filhos reajam a esta má notícia com medo, confusão, ansiedade, insegurança e cólera. Os pais ajudá-los-ão a resolver esses sentimentos e a geri-los.
7. Devido à alta taxa de divórcios, os filhos não se devem sentir envergonhados porque os seus pais se divorciaram. Trata-se de um problema privado, mas será mais fácil para os filhos superar a situação se puderem falar com os seus amigos íntimos, com os seus professores e de modo a conseguirem orientação e apoio.
8. É importante que os filhos não tentem intervir nas zangas entre os pais. Os filhos não devem tomar partido. Os pais já não se amam, mas ambos continuam a amar os seus filhos e continuarão a amá-los no futuro.
9. Os pais não desejam que os filhos se convertam em portadores de mensagens entre eles. Prometem não os utilizar para enviarem recados um ao outro.
10. Os pais desejam explicar estes problemas em detalhe, quer juntos, quer separadamente. Os pais sabem que, para os filhos, será difícil compreender e aceitar os factos, e que lhes levará um certo tempo a aceitar a ruptura e a reajustar-se à nova situação. S&L
 

José Navarro Góngora
Psicólogo e Professor da Universidade de Salamanca, Espanha

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