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Uma sensação de ardor no tórax e na |
Refluxo Gastroesofágico - A sua incómoda azia
Uma deficiência dos mecanismos anti-refluxo
No estado normal, existem entre o estômago e o esófago alguns mecanismos
anti-refluxo que impedem o líquido gástrico de subir. O elemento principal
destes mecanismos é um esfíncter situado na parte baixa do esófago. A dilatação
deste esfíncter pode ser transitória, principalmente quando o estômago está
distendido, ou pode ser permanente. Resultado: os indivíduos afectados têm este
problema frequentemente, principalmente em certas posições que o favorecem (ao
inclinar-
-se ou ao deitar-se).
A hérnia do hiato, que corresponde na subida permanente ou intermitente da parte
alta do estômago até à zona torácica através do orifício do diafragma (o
orifício do hiato) está, com frequência, presente e favorece também o refluxo.
Todavia, pode-se ter uma hérnia do hiato sem refluxo ou refluxo sem hérnia.
Excepto em casos especiais e raros, a hérnia não provoca nenhuma manifestação
dolorosa, a dor está exclusivamente ligada à existência do refluxo. A hérnia do
hiato não está em causa, a não ser que ela altere os mecanismos anti-refluxo.
Ela não leva a nenhuma outra desordem digestiva, tal como peso, flatulência ou a
uma digestão lenta.
As manifestações
O refluxo do conteúdo gástrico acontece por episódios, sem provocar vómitos. Ele
está presente em quase toda a população: estima-se que 40 a 50% apresentam um
episódio de refluxo pelo menos uma vez por mês, 4 a 10% apresentam refluxo
diariamente.
O refluxo caracteriza-se por ardores que começam no estômago e sobem ao peito,
por vezes com um gosto ácido na boca. Estas dores irradiam nas costas. Em 30%
dos casos, os refluxos manifestam-se unicamente por sensação de ardores na parte
superior do estômago, sem impressão de subir. Estes ardores, durante muito tempo
atribuídos a fenómenos de gastrites, estão com efeito ligados aos refluxos
esofágicos.
As consequências são múltiplas. Quando o refluxo se torna frequente e muito
incomodativo, a acidez do líquido que reflui pode começar uma inflamação da
parte inferior do esófago (esofagite). Esta inflamação é encontrada em metade
dos pacientes que vão à consulta. Uma endoscopia é então efectuada. Não existe
paralelismo entre a importância da inflamação e a dos sintomas. Nos casos mais
frequentes, esta inflamação é moderada, caracteriza-se por algumas erosões da
parte inferior do esófago. Todavia, em alguns casos, ela é mais grave. Em certas
pessoas, o líquido ácido sobe mesmo até à zona da ORL (otorrinolaringologia) ou
respiratória. Neste caso, ele pode desenvolver uma laringite crónica, dores na
faringe, uma tosse crónica ou um agravamento dos problemas de bronquite, asma,
etc. O refluxo pode também ocasionar dores torácicas constritivas, simulando uma
dor do tipo coronária.
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O que deve saber |
Problemas estáveis
A gravidade do desconforto derivado do refluxo é muito variável de uma pessoa
para outra. Certos pacientes apresentam um incómodo intermitente, geralmente
favorecido por um certo número de factores despoletantes, como as pressões, o
stress, a ingestão de café ou de álcool, um aumento de peso, a alimentação muito
condimentada... Outros têm um desconforto mais significativo, que dura algumas
semanas anualmente. Só um pequeno número de doentes é medicado e apresenta
refluxos constantes ao longo de todo o ano. Estes não podem passar sem os seus
tratamentos. Segundo os dados actuais, e apesar de existirem formas muito
diferentes de pessoa para pessoa, parece que não há nenhum agravamento evidente
da patologia no decorrer dos anos. A gravidade do refluxo parece determinada de
imediato.
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- 12% dos indivíduos com
mais de 16 anos declaram ter sofrido deste problema de refluxo, no |
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É preferível consultar o médico quando os problemas se tornam frequentes e
realmente desconfortáveis. Quer dizer, quando acontecem mais vezes na mesma
semana e, especialmente, quando se é acordado de noite por causa disso. Ou
quando existem sinais de alarme, tais como as sensações de bloqueio no momento
da deglutição, falta de apetite, alteração do estado geral. O maior sinal é a
dificuldade em engolir.
O recurso a um médico é necessário quando os problemas não se resolvem através
de medidas higieno-dietéticas simples ou com medicamentos contra a acidez
(curativos gástricos).
Tratamentos adaptados a cada
situação
Os tratamentos médicos actuais não restauram os mecanismos anti-refluxo
defeituosos. No entanto, podem perfeitamente controlar as consequências do
refluxo ligadas à acidez do conteúdo gástrico. Com efeito, tratam os sintomas
fazendo desaparecer a azia, a inflamação do esófago e as manifestações
extra-digestivas quando elas existem. O único meio de que dispomos para tratar
os mecanismos anti-refluxo é a cirurgia, que se pratica agora sob a forma de
colioscopia. Mas esta está reservada aos pacientes que não recuperam com a acção
dos medicamentos. São cerca de 2 a 5% de pessoas que vão ao médico devido a um
refluxo que incomoda.
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A prevenção |
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Existem dois tipos de medicamentos contra o refluxo: os que neutralizam a acidez
do líquido que refluiu, como os analgésicos (água, gás, alginatos, etc.). Têm
uma acção eficaz sobre a sensação de azia, mas a duração da sua acção é muito
curta – menos de uma hora. Não podem tratar, nem controlar uma eventual
inflamação do esófago. Estes medicamentos devem ser tomados no momento da dor e
o mais cedo possível a seguir às refeições. Todos os analgésicos/antiácidos são
vendidos sem receita médica.
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No bebé |
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O melhor procedimento |
Outros medicamentos reforçam a tonicidade do esfíncter e favorecem o
esvaziamento gástrico: medicamentos procinéticos. Ou ainda outros: reduzem a
secreção ácida do estômago: medicamentos anti-secretórios, antagonistas H2 e
inibidores da bomba de protões. Estes últimos são, actualmente, os
anti-secretórios mais fortes. A sua acção prolonga-se por mais de 24 horas.
Todos estes medicamentos específicos são prescritos por um médico. Apesar dos
tratamentos fortes dos quais já dispomos, um determinado número de doentes são
apenas parcialmente aliviados dos seus ardores torácicos e ardores na garganta.
Esta aparente resistência ao tratamento médico deve levar a uma revisão do
diagnóstico de refluxo ou evocar a possibilidade de um esófago “hipersensível”.
Nesse caso, os indivíduos são muito incomodados, enquanto que,
quantitativamente, apresentam um refluxo normal sem inflamação do esófago.
Certos exames mais específicos, como o registo da acidez esofágica em 24 horas,
podem então ajudar a compreender o mecanismo dos sintomas para uma adaptação do
tratamento. S&L
Agnès Bodechon,
em colaboração com o Dr. Thierry Vallot, do Hospital Bichat-Bernard, de
Paris