Filosofia de Vida / Fevereiro 2004

Um Amor diferente... em cada tempo

Hansel e Gretel
Lembra-se dos dois irmãos, que, abandonados na floresta, encontraram uma casa feita de chocolate, de onde por pouco escaparam ao perigo? É assim o relacionamento com os outros quando somos crianças: um tempo de descoberta e partilha, no qual os momentos que passamos com os amigos são verdadeiras “casas de chocolate”. Ficam para sempre… doces recordações de cada brincadeira despreocupada, pelas quais crescemos acompanhados de riso, gravadas na memória para sempre. É a idade da Inocência.

Romeu e Julieta
Os Montecchio e os Capuletos não conseguiram travar nem impedir o sentimento dos seus filhos. Porque as paixões adolescentes são assim: impetuosas e inconscientes, mas também solidárias e generosas. É a idade da fogosidade interior e do proclamar ao mundo que se ama! E se ama para sempre… em cada amor platónico. É a idade da Paixão pela vida.

Ulisses e Penélope
O amor é em si mesmo uma Odisseia. E quando alguém encontra outro a quem amar para sempre, tudo faz para com essa pessoa construir uma vida. Ulisses, que, de regresso da Guerra de Tróia, tudo enfrenta para chegar a Ítaca e reencontrar-se com a sua esposa, é o símbolo de todos os que lutam por uma vida a dois. Entre encontros e desencontros, alegrias e desavenças, na saúde ou na doença, no lazer ou trabalho, vale a pena começar a construir uma relação, um lar, uma vida! É a idade da Construção.

Georg e Maria
Com certeza não esqueceu a família Von Trapp, da Música no Coração, com a qual sucessivas gerações se habituaram a conviver. Será ainda possível encontrar um mundo puro, onde a música e a harmonia enchem um lar de amor, no qual duas pessoas se amam com companheirismo, empenhadas em fazer das suas vidas e das vidas dos seus filhos um hino de alegria? É poético… mas não impossível. E, se há idade em que é possível, é quando um amor terno e sereno invade o coração de cada um, no qual o outro e os outros estão à frente de si próprio. A idade da Partilha.

E quando o Outro…
já não está
E quando a vida nos separa de quem amamos, fica a memória e as memórias de cada momento. Essas não desaparecem e são guardadas no baú mais rico do coração: o do amor. É tempo de transmitir um testemunho, uma sabedoria, uma experiência vivida, marcar a vida dos outros com a vida que se viveu. É o tempo de Recordar.

Viva este Dia dos Namorados com o que de melhor ele tem: o Amor pelos outros!
 

Paulo Sérgio Macedo
Director da revista para Adolescentes ZY

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