Uma senhora conta sobre o seu ex-marido, que se
tornou viciado em analgésicos e relaxantes musculares durante anos. “Ele não
conseguia manter o emprego, perdemos a nossa casa, o nosso crédito e os nossos
amigos. Tentámos o aconselhamento e centros de tratamento da dependência, tanto
internos como externos, mas nada deu resultado.” O homem continuou com o seu
vício, tornando-se criativo na forma como arranjava médicos de outros estados, e
até de outros países, que lhe mandavam os comprimidos.
Por fim, pela sua própria sanidade mental e pela segurança dos seus dois filhos,
deixou-o. Aqui está a descrição da vida do seu marido depois da partida da
mulher, com os filhos. “Ele foi de emprego em emprego, vivendo nas ruas, com
amigos e em centros para os sem-abrigo. Tudo isso cobrou, por fim, o seu preço e
ele morreu de hepatite C. Não via os filhos há três anos e devia mais de 57 000
euros em pensões de alimentos. Morreu sem dinheiro e sozinho.”
O objectivo desta história não é o de atemorizar alguém que seja viciado em
drogas. A lição é a seguinte: a vida daquele homem terminou de forma trágica e
desnecessária. No que respeita às drogas, foi a sua recusa de tomar as rédeas da
sua própria vida que levou à separação da família, à perda da casa, do emprego,
dos amigos e, por último, à sua morte prematura. Nessa tragédia, este homem não
é caso único.
De acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos,
todos os anos o abuso de drogas e álcool contribui para a morte de mais de 120
000 americanos. Além disso, o Office National Drug Control Policy estima que as
drogas e o álcool custam, anualmente, aos contribuintes, mais de 163 biliões de
euros em custos de cuidados de saúde evitáveis, policiamento extra, acidentes de
automóvel, crime e perda de produtividade. Outros estudos indicam que quase 14
milhões de americanos sofrem do abuso ou dependência do álcool e que cerca de 43
por cento dos americanos cresceram ou estão casados com alguém com um problema
de bebida.
Contudo, há um facto muito mais importante do que essas estatísticas sinistras:
aqueles que são dependentes da droga ou do álcool podem mudar. Embora não seja
fácil, milhões incontáveis tomaram as decisões que os levaram a uma vida
saudável. Aqui estão alguns passos importantes a tomar, que o colocarão no
caminho da recuperação.
Procure um Programa de 12 Passos
A maior parte dos grupos de entre-ajuda que lidam com dependências são baseados
nos Doze Passos dos Alcoólicos Anónimos.
1. Admitimos que somos incapazes de vencer o álcool – que na nossa vida se tinha
tornado incontrolável.
2. Passámos a acreditar que um Poder maior que nós próprios poderá restaurar-nos
a sanidade.
3. Tomámos a decisão que entregar a nossa vontade e as nossas vidas aos cuidados
de Deus como O compreendemos.
4. Fizemos, sem temor, um inventário moral de nós próprios.
5. Admitimos, perante Deus, perante nós próprios e os outros seres humanos, a
natureza exacta dos nossos erros.
6. Estivemos inteiramente prontos a que Deus removesse todos estes defeitos de
carácter.
7. Pedimos-Lhe, humildemente, que nos tirasse essas falhas.
8. Fizemos uma lista de todas as pessoas que prejudicáramos e dispusémo-nos a
fazer as devidas reparações.
9. Fizemos, sempre que possível, reparações directamente para com essas pessoas,
excepto nos casos em que isso as magoasse a elas ou a outros.
10. Continuámos a fazer inventários pessoais e, sempre que estivéssemos errados,
admitíamos prontamente.
11. Procurámos, através da oração e meditação, melhorar o nosso contacto
consciente com Deus como O compreendemos, orando a pedir apenas o conhecimento
da Sua vontade para nós e pelo poder de o pormos em prática.
12. Tendo tido um despertamento espiritual como resultado destes passos,
tentámos levar a mensagem a alcoólicos e a praticar estes princípios em todos os
nossos assuntos.
Embora existam outros métodos para lidar com a dependência, os grupos dos 12
passos são os que têm, geralmente, os melhores resultados. Um estudo pioneiro
feito recentemente testou a teoria de que o tratamento do alcoolismo seria mais
eficaz se os alcoólicos fossem “combinados” com tipos de programas de tratamento
que melhor se adaptassem à sua personalidade individual. Foram estudados mais de
1700 alcoólicos em tratamento em nove locais, durante um período de três meses,
com análises de seguimento feitas de três em três meses até ao 15º mês. Esses
1726 alcoólicos foram enviados, ao acaso, para três tipos de programas populares
de tratamento: grupos de 12 passos, terapia de intensificação motivacional e
teoria cognitiva comportamental. Embora os resultados do tratamento fossem
“excelentes nos três grupos”, o programa dos 12 passos alcançou melhores
resultados. A abstinência do quarto ao décimo quinto meses de seguimento foi
conseguida por 24 por cento dos que foram tratados com os programas dos 12
passos, comparados com os 15 por cento no programa cognitivo e 14 por cento no
programa do tipo motivacional.
Explore Outras Opções de Tratamento
Os programas dos 12 passos não se aplicam a todas as pessoas. Se sentir que um
programa desse género não é adequado para si, há outras opções que podem ser
experimentadas para quebrar a dependência da droga e do álcool. Contudo,
contrariamente aos programas dos 12 passos, que, normalmente, não envolvem
gastos financeiros, nos outros programas de tratamento há despesas que, por
vezes, são cobertas por seguros de saúde. Aqui estão quatro formas importantes
para tratar a dependência:
1. Tratamento de reabilitação com internamento. Este tratamento com internamento
num hospital ou centro dura 28 dias ou mais.
2. Tratamento de reabilitação como paciente externo. Esse tratamento dura vários
meses e é feito sob a supervisão de profissionais médicos/psicólogos.
3. Aconselhamento individual. Este é usado para ajudar a motivar os dependentes
a começarem a recuperação. Muitas vezes as famílias são incluídas no processo de
aconselhamento.
4. Aconselhamento em grupo. É parecido com aconselhamento individual, mas menos
dispendioso e intensivo. As sessões têm lugar com um grupo de indivíduos que
estão a lidar com problemas de dependência semelhantes. O grupo é moderado por
um profissional experiente.
Os pais de um rapaz, que foi persuadido a entrar para um tratamento num centro
de internamento, foram à “formatura” do seu filho, no programa. Eis a sua
descrição dos resultados positivos: “A formatura do nosso filho ficará sempre
gravada na nossa memória como sendo o renascimento dele. Há tantos anos que não
o víamos livre das drogas e do álcool, que até tivemos dificuldade em
reconhecê-lo. O seu comportamento parecia tão absoluta e maravilhosamente calmo!
Durante anos perguntávamos a nós próprios se alguma vez voltaríamos a ver o
nosso “verdadeiro” filho novamente.”
Construa uma Rede de Apoio
Faça amizade com pessoas saudáveis e dispostas a ajudar. Afaste-se dos amigos
que ainda estejam envolvidos com substâncias tóxicas e o possam tentar a
continuar a participar nisso com eles. Isto, em si mesmo, já é um passo vital.
Construa uma nova rede de pessoas que o apoiem.
Um homem descreve o que lhe aconteceu quando tomou a decisão de deixar de beber:
“Tinha decidido que, além de retirar o álcool da minha vida, iria limitar os
contactos com os meus amigos da bebida. Contudo, em pouco tempo isso deixou de
ser um problema, pois quando eles ouviram dizer que eu deixara de beber, pararam
de me telefonar. Na realidade, de um momento para o outro, dei por mim sem
amigos. Isso forçou-me a procurar novos relacionamentos, o que fiz, pouco a
pouco.”
Por fim, celebre a sua vitória. Ver-se livre da dependência não é um processo
fácil. Tem toda a razão para se sentir orgulhoso de si mesmo e do que conseguiu.
Celebre e saboreie a sua nova liberdade. “Estou constantemente a celebrar o
facto de estar sóbrio,” diz um homem que pôs um ponto final em cinco anos de
alcoolismo grave. “Sou tão feliz e orgulhoso da vida rica e realizada que agora
tenho! O facto de estar vivo é um milagre. A minha mulher e os meus filhos
ficaram ao meu lado. A vida tem, agora, possibilidades maravilhosas que nos
foram negadas enquanto lutava contra o alcoolismo.” S&L
Victor M.
Parachin
Escritor sobre assuntos de saúde