Prevenção / Janeiro 2004

Uma senhora conta sobre o seu ex-marido, que se tornou viciado em analgésicos e relaxantes musculares durante anos. “Ele não conseguia manter o emprego, perdemos a nossa casa, o nosso crédito e os nossos amigos. Tentámos o aconselhamento e centros de tratamento da dependência, tanto internos como externos, mas nada deu resultado.” O homem continuou com o seu vício, tornando-se criativo na forma como arranjava médicos de outros estados, e até de outros países, que lhe mandavam os comprimidos.


Por fim, pela sua própria sanidade mental e pela segurança dos seus dois filhos, deixou-o. Aqui está a descrição da vida do seu marido depois da partida da mulher, com os filhos. “Ele foi de emprego em emprego, vivendo nas ruas, com amigos e em centros para os sem-abrigo. Tudo isso cobrou, por fim, o seu preço e ele morreu de hepatite C. Não via os filhos há três anos e devia mais de 57 000 euros em pensões de alimentos. Morreu sem dinheiro e sozinho.”


O objectivo desta história não é o de atemorizar alguém que seja viciado em drogas. A lição é a seguinte: a vida daquele homem terminou de forma trágica e desnecessária. No que respeita às drogas, foi a sua recusa de tomar as rédeas da sua própria vida que levou à separação da família, à perda da casa, do emprego, dos amigos e, por último, à sua morte prematura. Nessa tragédia, este homem não é caso único.


De acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, todos os anos o abuso de drogas e álcool contribui para a morte de mais de 120 000 americanos. Além disso, o Office National Drug Control Policy estima que as drogas e o álcool custam, anualmente, aos contribuintes, mais de 163 biliões de euros em custos de cuidados de saúde evitáveis, policiamento extra, acidentes de automóvel, crime e perda de produtividade. Outros estudos indicam que quase 14 milhões de americanos sofrem do abuso ou dependência do álcool e que cerca de 43 por cento dos americanos cresceram ou estão casados com alguém com um problema de bebida.
Contudo, há um facto muito mais importante do que essas estatísticas sinistras: aqueles que são dependentes da droga ou do álcool podem mudar. Embora não seja fácil, milhões incontáveis tomaram as decisões que os levaram a uma vida saudável. Aqui estão alguns passos importantes a tomar, que o colocarão no caminho da recuperação.

Procure um Programa de 12 Passos
A maior parte dos grupos de entre-ajuda que lidam com dependências são baseados nos Doze Passos dos Alcoólicos Anónimos.
1. Admitimos que somos incapazes de vencer o álcool – que na nossa vida se tinha tornado incontrolável.
2. Passámos a acreditar que um Poder maior que nós próprios poderá restaurar-nos a sanidade.
3. Tomámos a decisão que entregar a nossa vontade e as nossas vidas aos cuidados de Deus como O compreendemos.
4. Fizemos, sem temor, um inventário moral de nós próprios.
5. Admitimos, perante Deus, perante nós próprios e os outros seres humanos, a natureza exacta dos nossos erros.
6. Estivemos inteiramente prontos a que Deus removesse todos estes defeitos de carácter.
7. Pedimos-Lhe, humildemente, que nos tirasse essas falhas.
8. Fizemos uma lista de todas as pessoas que prejudicáramos e dispusémo-nos a fazer as devidas reparações.
9. Fizemos, sempre que possível, reparações directamente para com essas pessoas, excepto nos casos em que isso as magoasse a elas ou a outros.
10. Continuámos a fazer inventários pessoais e, sempre que estivéssemos errados, admitíamos prontamente.
11. Procurámos, através da oração e meditação, melhorar o nosso contacto consciente com Deus como O compreendemos, orando a pedir apenas o conhecimento da Sua vontade para nós e pelo poder de o pormos em prática.
12. Tendo tido um despertamento espiritual como resultado destes passos, tentámos levar a mensagem a alcoólicos e a praticar estes princípios em todos os nossos assuntos.

Embora existam outros métodos para lidar com a dependência, os grupos dos 12 passos são os que têm, geralmente, os melhores resultados. Um estudo pioneiro feito recentemente testou a teoria de que o tratamento do alcoolismo seria mais eficaz se os alcoólicos fossem “combinados” com tipos de programas de tratamento que melhor se adaptassem à sua personalidade individual. Foram estudados mais de 1700 alcoólicos em tratamento em nove locais, durante um período de três meses, com análises de seguimento feitas de três em três meses até ao 15º mês. Esses 1726 alcoólicos foram enviados, ao acaso, para três tipos de programas populares de tratamento: grupos de 12 passos, terapia de intensificação motivacional e teoria cognitiva comportamental. Embora os resultados do tratamento fossem “excelentes nos três grupos”, o programa dos 12 passos alcançou melhores resultados. A abstinência do quarto ao décimo quinto meses de seguimento foi conseguida por 24 por cento dos que foram tratados com os programas dos 12 passos, comparados com os 15 por cento no programa cognitivo e 14 por cento no programa do tipo motivacional.

Explore Outras Opções de Tratamento
Os programas dos 12 passos não se aplicam a todas as pessoas. Se sentir que um programa desse género não é adequado para si, há outras opções que podem ser experimentadas para quebrar a dependência da droga e do álcool. Contudo, contrariamente aos programas dos 12 passos, que, normalmente, não envolvem gastos financeiros, nos outros programas de tratamento há despesas que, por vezes, são cobertas por seguros de saúde. Aqui estão quatro formas importantes para tratar a dependência:
1. Tratamento de reabilitação com internamento. Este tratamento com internamento num hospital ou centro dura 28 dias ou mais.
2. Tratamento de reabilitação como paciente externo. Esse tratamento dura vários meses e é feito sob a supervisão de profissionais médicos/psicólogos.
3. Aconselhamento individual. Este é usado para ajudar a motivar os dependentes a começarem a recuperação. Muitas vezes as famílias são incluídas no processo de aconselhamento.
4. Aconselhamento em grupo. É parecido com aconselhamento individual, mas menos dispendioso e intensivo. As sessões têm lugar com um grupo de indivíduos que estão a lidar com problemas de dependência semelhantes. O grupo é moderado por um profissional experiente.
Os pais de um rapaz, que foi persuadido a entrar para um tratamento num centro de internamento, foram à “formatura” do seu filho, no programa. Eis a sua descrição dos resultados positivos: “A formatura do nosso filho ficará sempre gravada na nossa memória como sendo o renascimento dele. Há tantos anos que não o víamos livre das drogas e do álcool, que até tivemos dificuldade em reconhecê-lo. O seu comportamento parecia tão absoluta e maravilhosamente calmo! Durante anos perguntávamos a nós próprios se alguma vez voltaríamos a ver o nosso “verdadeiro” filho novamente.”

Construa uma Rede de Apoio
Faça amizade com pessoas saudáveis e dispostas a ajudar. Afaste-se dos amigos que ainda estejam envolvidos com substâncias tóxicas e o possam tentar a continuar a participar nisso com eles. Isto, em si mesmo, já é um passo vital. Construa uma nova rede de pessoas que o apoiem.
Um homem descreve o que lhe aconteceu quando tomou a decisão de deixar de beber: “Tinha decidido que, além de retirar o álcool da minha vida, iria limitar os contactos com os meus amigos da bebida. Contudo, em pouco tempo isso deixou de ser um problema, pois quando eles ouviram dizer que eu deixara de beber, pararam de me telefonar. Na realidade, de um momento para o outro, dei por mim sem amigos. Isso forçou-me a procurar novos relacionamentos, o que fiz, pouco a pouco.”
Por fim, celebre a sua vitória. Ver-se livre da dependência não é um processo fácil. Tem toda a razão para se sentir orgulhoso de si mesmo e do que conseguiu. Celebre e saboreie a sua nova liberdade. “Estou constantemente a celebrar o facto de estar sóbrio,” diz um homem que pôs um ponto final em cinco anos de alcoolismo grave. “Sou tão feliz e orgulhoso da vida rica e realizada que agora tenho! O facto de estar vivo é um milagre. A minha mulher e os meus filhos ficaram ao meu lado. A vida tem, agora, possibilidades maravilhosas que nos foram negadas enquanto lutava contra o alcoolismo.” S&L

Victor M. Parachin
Escritor sobre assuntos de saúde
 

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