Da casa ao prato / Janeiro 2004

Oriundo do continente americano, o abacate é notoriamente rico em gordura, sendo uma fonte de ácido oleico e de calorias. Aproximadamente 70% da constituição do abacate comum é água; o restante são sais minerais e vitaminas. Há cerca de 347 mg de potássio em cada 100 g do fruto, o que representa 60% acima do total encontrado na banana.
Associado a isso, o abacate é rico em vitamina E e glutationa, poderosos agentes antioxidantes que protegem as células do corpo contra os danos causados pela vida moderna. Actualmente, acredita-se que os danos celulares constituem o ponto de partida para a maioria das doenças degenerativas, como o cancro e as doenças cardíacas. A glutationa neutraliza a acção dos radicais livres, sendo considerada um grande regenerador celular, principalmente das células constituintes do sistema imunitário.
Até há pouco tempo atrás, o seu consumo não era recomendado aos obesos, hipertensos, diabéticos e portadores de outras doenças associadas ao acúmulo de gordura.
Contudo, em 1992 foi publicada a primeira evidência sobre a eficácia do abacate como fonte de ácidos gordos monoinsaturados, reduzindo o colesterol total, o colesterol de baixa densidade (LDL) e os triacilgliceróis (TAG). Posteriormente, em 1997, foi constatado em doentes com colesterol elevado que, além do consumo do fruto induzir à redução nas taxas de colesterol total, LDL e TAG, também favorece o aumento desejável dos níveis do colesterol de alta densidade (HDL).
Os resultados da adopção de dietas compostas por abacate não demoraram a aparecer. Após uma semana de uso, ocorrem alterações sensíveis nos indicadores lipídicos do sangue. Além disso, já foi identificado que o consumo de abacate também influencia a glicemia. Após quatro semanas a consumir abacate, mulheres diabéticas insulinodependentes tiveram uma redução tanto no colesterol sérico total como na glicemia plasmática.
Dessa forma, o abacate auxilia no tratamento de doenças crónicas, especialmente nas cardiopatias, diabetes e dislipidemias, ao contrário do que se cria anteriormente.
Porém, é bom lembrar que a introdução regular do abacate na alimentação deve ser feita sob acompanhamento nutricional, dada a alta quantidade de calorias do fruto. Assim, o peso corporal estará sob controlo.

 

Késia Diego Quintaes
Nutricionista

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