A saúde do ser humano depende das múltiplas decisões
que faz cada dia, isto é, do estilo de vida adoptado. Uma das dimensões que
afecta mais a saúde tem a ver com alimentos que são ingeridos. Existe uma enorme
variedade à disposição, o que obriga a escolher determinados alimentos em
detrimento de outros. São essas escolhas que ditam a saúde do indivíduo.
Os alimentos vão ser sempre necessários, porque são eles que fornecem os vários
nutrientes que o organismo tanto precisa para desenvolver as suas funções
vitais. Tendo apenas em conta isto, qualquer alimento é bom, já que possui algum
dos nutrientes indispensáveis, mas deve-se ter também em atenção o poder
curativo dos alimentos. Há certos alimentos que possuem a capacidade de
restaurar a saúde perdida e de evitar que doenças surjam.
Nesta altura é imperioso que se faça a pergunta: Existe uma alimentação adequada
para o ser humano, com alimentos especialmente recomendados? Se pensarmos que o
homem apareceu apenas por “acidente”, fruto de um acaso evolutivo, então não
deveria haver uma alimentação adequada, visto que ter-se--ia adaptado aos
alimentos disponíveis e acabaria por funcionar de uma boa forma.
No entanto, se o ser humano foi criado por uma Inteligência superior, segundo um
plano, deve existir determinados alimentos que se adequam a esse propósito, de
forma a prover o seu bom funcionamento fisiológico. A resposta para isto
encontra-se no plano da criação, onde é dito que toda a árvore em que há fruto
que dá semente será para nosso mantimento. Fruto pode ser definido como órgão
vegetal, proveniente do ovário da flor, incluindo os frutos propriamente ditos e
outros que normalmente não são chamados frutos, tais como: legumes, feijões,
ervilhas, beringela, abóbora, feijão verde, grãos (milho, aveia), etc..
Mais tarde, as verduras e hortaliças foram acrescentadas, porque foi dada
permissão para comer a erva do campo. Erva é toda a planta tenra cujas partes
aéreas, inclusive o caule, morre anualmente, sendo composta por raízes, caule,
folhas e flores. Assim, o regime alimentar passa a possuir alimentos como
couve-flor, brócolos (flores); alface, repolho (folhas); espargo (caules) e
batatas, cenouras, beterrabas, cebolas (tubérculos) e muitos outros.
Desde há um século, a dieta tem sofrido drásticas alterações, principalmente nos
países desenvolvidos. Os alimentos cultivados nas hortas têm sido substituídos
por alimentos processados, refinados e empobrecidos, cheios de conservantes
estabilizantes e afins. Esta e outras mudanças acarretaram consigo um aumento
significativo da mortalidade por doenças coronárias, tromboses, cancro, etc..
Presentemente, as pessoas começam a aperceber-se deste cenário e estão, cada vez
mais, a pôr de parte uma dieta rica em alimentos processados. Nestes últimos
anos têm-se registado muitas descobertas relacionadas com os alimentos de origem
vegetal, tendo-se verificado que, além dos nutrientes que existem em qualquer
outro alimento, estão presentes dois tipos de compostos que não se encontram nos
alimentos de origem animal: os antioxidantes e os elementos fitoquímicos.
Os antioxidantes são certos minerais e vitaminas que, nas células, neutralizam a
acção nociva dos radicais livres provenientes da contaminação química e da
actividade do organismo. Os elementos fitoquímicos, descobertos na década de
oitenta, existem em quantidades muito pequenas, que não têm qualquer valor
calórico, mas que desempenham numerosas funções preventivas e curativas no
organismo.
Uma alimentação vegetal é também mais adaptada à nossa constituição física. A
dentição humana não está preparada para rasgar, como a dos mamíferos carnívoros.
A nossa tem molares planos, que são para triturar grãos e sementes. O
comprimento do nosso intestino é, igualmente, mais semelhante ao dos herbívoros,
do que ao dos carnívoros. Esses têm proporcionalmente um intestino muito mais
curto, porque a carne tem que passar rapidamente pelo aparelho digestivo, de
forma a evitar que as substâncias tóxicas que contém, e as que se formam por
putrefacção, passem para a circulação sanguínea. Em contrapartida, os vegetais
devem passar de modo mais lento, para se aproveitar todo o seu potencial, para
que os seus princípios nutritivos possam ser absorvidos. Esta é mais uma prova
de que a alimentação baseada na carne não é apropriada para os seres humanos.
As pessoas vegetarianas destacam-se pela sua longevidade e por se manterem
activas e saudáveis em idade avançada. Uma dieta totalmente vegetariana poderia
prevenir até noventa por cento das tromboses e noventa e sete por cento dos
ataques cardíacos. A mudança para este tipo de dieta facilitaria a redução dos
impactos ecológicos negativos da actual dieta, centrada na carne. A
superexploração dos pastos para a produção de alimentos para os animais
contribui de forma substancial para a erosão e perda de superfícies extensas do
solo. Os cereais e feijões utilizados para alimentar esses animais poderiam
servir para alimentar a população faminta do mundo. Só para se ter uma ideia, um
acre de terra produz setenta e cinco quilos de carne bovina, ou então quase dez
mil quilos de batatas. E para se conseguir meio quilo de carne comestível a
partir de um curral de engorda, são necessários cinco quilos de cereais e soja!
Realmente o ser humano é capaz de ingerir quase tudo para se alimentar. Existe
uma variedade incrível de produtos capazes de satisfazer as necessidades
humanas. Mas será que o facto de conseguirmos ingerir toda essa variedade,
qualifica esses alimentos como adequados ao consumo humano? O que é certo é que,
actualmente, os alimentos de origem animal não são imprescindíveis, enquanto os
de origem vegetal continuam a ser fundamentais para o ser humano.
Desta forma, os cereais, os legumes, os frutos das árvores, e as verduras e
hortaliças constituem a dieta apropriada para a espécie humana. S&L
BIBLIOGRAFIA
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