Saúde / Janeiro 2004

Para conseguir fama, há necessidade de três ingredientes: realizar coisas notáveis, ser raro e ter um preço elevado. Esta estranha maneira de avaliar as coisas priva-nos de muitos benefícios que estão ao alcance de todos. É isso que acontece com muitos tratamentos simples, à base de água, que, apesar de terem a sua eficácia comprovada, não são merecedores de atenção, justamente por utilizarem um ingrediente tão barato e comum.
Mas as pessoas, que se derem ao trabalho de aprender a utilizar a hidroterapia, terão muitas oportunidades de aliviar males que frequentemente causam aflição, sem recorrerem a medicações sofisticadas.
Este mês apresentamos um dos mais antigos tratamentos, que não perdeu a sua eficácia com o passar do tempo. O escalda-pés é uma técnica que consiste em imergir os pés e parte das pernas em água quente, por um determinado período, a fim de provocar uma vasodilatação dos membros inferiores, atraindo para essa região o sangue que se encontra concentrado noutras partes do corpo. Esse processo tem como objectivo aliviar a congestão nessas áreas.
Indicações
São muitas as situações em que podemos aplicar o escalda-pés. Entre elas encontram-se as seguintes:
1. Dores de cabeça por excesso de sangue nessa região.
2. Congestão dos pulmões, quando constipados.
3. Congestão e dores na região pélvica.
4. Alívio para constipações.
5. Situações de tensão, para produzir relaxamento.
6. Sangramento nasal.
7. Tratamento de inflamações e dores nas pernas.
Precauções
Apesar de ser um tratamento simples, a sua utilização requer alguns cuidados. Ele deve ser evitado em casos de sérias dificuldades circulatórias, como os estados avançados da diabetes, obstruções circulatórias e quando houver perda da sensibilidade nos membros inferiores. Em tais situações, além de não ser atingido o objectivo do tratamento, poderá provocar danos à pele, que não possui capacidade para se adaptar a temperaturas mais elevadas.
Como Fazer
Para fazer um escalda--pés, providencie os seguintes objectos:
1. Um recipiente suficientemente grande para colocar os dois pés, de modo simultâneo, e que tenha altura para atingir pelo menos a metade das pernas.
2. Termómetro, para registar a temperatura da água, que deve ficar entre os 41º C e 43º C.
3. Toalha e compressa com água fria.
4. Recipiente com água quente extra, para acrescentar ao banho e manter a água numa temperatura constante.
5. Banco ou cadeira confortável.

Use a água quente a uma temperatura aproximada de 41º C e mergulhe nela os dois pés. Mantenha essa temperatura, acrescentando água quente de tempos a tempos. Retire os pés sempre que adicionar nova água. O tempo do banho pode variar de dez a trinta minutos. Em casos de congestão na cabeça, o tratamento poderá ser reforçado com a aplicação de um pano embebido em água fria ao redor da fronte, e renovado periodicamente. Para terminar o tratamento, deverá ser aplicado um pouco de água fria nos pés, que devem ser enxugados imediatamente e bem agasalhados. Mantenha-se quente e em repouso enquanto espera a reacção do organismo.
Este tratamento pode ser repetido várias vezes ao longo do dia, se necessário. Caso os sintomas não melhorem, deve procurar-se orientação médica. S&L
 

 

 

 

 

 

Mafred Krusche
Supervisor médico da nossa
congénere ‘Vida e Saúde’

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