Responde O... / Janeiro 2004

Electroencefalograma

Pergunta:´Gostaria que me esclarecesse sobre o que é, realmente, o EEG e para que é aconselhado.

 

Resposta: EEG é a sigla para electroencefalograma, que é um dos exames de base do balanço neurológico. Ele permite registar a actividade eléctrica do cérebro.
O electroencefalograma é praticado cada vez que se suspeita existir uma anomalia de funcionamento do cérebro. Permite avaliar a actividade cerebral em determinado momento. Não consiste em fazer passar corrente eléctrica mas, pelo contrário, em analisar a actividade produzida pelos neurónios do cérebro. A técnica utilizada é a mesma que para o electrocardiograma.
O exame standard, em si próprio, dura cerca de 20 a 30 minutos. Não é agressivo nem doloroso.
A actividade cerebral é registada por intermédio de pequenos eléctrodos. Estes apresentam-se sob a forma de discos ou cúpulas metálicas, fixadas sobre o couro cabeludo por uma massa adesiva e mantidos no lugar por correias flexíveis.
É usado para afirmar ou confirmar o diagnóstico da epilepsia, especificar o seu tipo e avaliar a eficácia dos tratamentos e analisar o impacto de uma doença metabólica (encefalopatia), de um traumatismo craniano, de uma infecção, de um acidente vascular ou de um tumor, no cérebro.

Preparação
O indivíduo é confortavelmente instalado sobre uma cama ou uma marquesa. A preparação começa por um processo de limpeza da gordura do couro cabeludo, através de álcool ou de éter. O técnico coloca, em seguida, os eléctrodos, cujo número é variável (geralmente entre 8 a 20). Uma vez fixados os eléctrodos e embebidos num gel condutor, os eléctrodos são ligados ao aparelho electroencefalográfico por um cabo. O registo pode começar.

O exame
O sinal eléctrico recolhido pelos eléctrodos é amplificado, filtrado e registado pela máquina. Depois, esse sinal é transcrito sobre uma banda de papel (ou gravado na memória do computador) e visualizado num ecrã durante todo o exame. Durante este exame o paciente deve estar descontraído para evitar as contracções musculares ou movimentos oculares que poderiam encobrir a actividade cerebral.
Antes do registo da actividade de base (em repouso com os olhos fechados), o técnico vai pedir ao paciente que abra os olhos várias vezes para analisar a reactividade do traçado. O paciente deverá, em seguida, respirar profundamente e encher os pulmões de ar durante alguns minutos, para facilitar a identificação de anomalias ou para as amplificar. Esta experiência é chamada hiperpneia.
Pelo contrário, em bebés e crianças pequenas, é necessário obter um sono tipo sesta, que também facilita a obtenção do registo de anomalias.
Em geral, o exame termina com um estímulo luminoso intermitente realizado através de uma lâmpada que produz breves clarões segundo frequências variáveis. Ele permite descobrir uma eventual sensibilidade especial à luz, característica de certos tipos de crises de epilepsia.
Uma vez terminado o registo, resta apenas retirar os eléctrodos... e proceder a uma boa lavagem dos cabelos para eliminar o gel condutor. Posteriormente, o especialista irá interpretar o traçado, em função dos dados clínicos fornecidos pelo médico do paciente.

O que deve saber
Apesar de ser desejável lavar a cabeça antes do exame, não deve em caso algum utilizar gel no cabelo. Este poderia perturbar a condução eléctrica. Se uma resposta anómala é inscrita no traçado durante o estímulo luminoso intermitente, este é interrompido para não provocar uma crise de epilepsia.
Se estiver a fazer um tratamento para determinado tipo de epilepsia, não o pare antes de fazer o exame EEG.
Em caso de “ausência” ou de “crise” de epilepsia durante o exame, não tema nada. A equipa médica saberá o que fazer. Ainda mais, isso permitirá especificar o diagnóstico e eventualmente encaminhar a escolha do tratamento a pôr em prática.
Para os bebés e crianças pequenas, prepare um biberão e o objecto com o qual eles adormecem. Eles não devem dormir antes, mas durante o exame.

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