A PROPÓSITO DE REGRAS E LIMITES
No século XVIII, Rousseau defendeu, nas suas obras, especialmente no
“Emílio”, a teoria de que o homem é naturalmente bom, de que a criança nasce
com instintos que a conduzem naturalmente para o bem e que seria a
sociedade, nas suas várias formas, a corrompê--la posteriormente.
Foi de facto uma teoria inovadora, que provocou bastante controvérsia.
Partindo deste princípio, revolucionou-se o conceito de educação.
Bem, hoje ninguém acredita que o “Emílio”, criado pelo filósofo, é igual aos
pequeninos seres reais que temos ou já tivemos ao colo, juntinho ao coração.
Em contacto com eles, bem cedo nos apercebemos de que existe ali uma
dualidade bem enraizada e que aqueles anjinhos também têm a capacidade inata
de enveredarem, naturalmente, por caminhos pedregosos e de, consequentemente,
nos fazerem perder a paciência.
É proibido dizer não, é proibido restringir a vontade e o desejo da criança,
são atitudes que fazem parte de uma outra filosofia da educação,
especialmente divulgada, aceite e seguida por muitos, nos anos 60. Temiam-se
as inibições e os complexos causados pelo contrariar de mentes tenras e
delicadas.
Mas, afinal, o mesmo Rousseau escreveu também o “Contrato Social” em que
estabelece regras necessárias para a convivência em sociedade. E, diríamos
nós, a sociedade é formada pela família, não é verdade?
Por outro lado, muitos especialistas que viveram e conheceram as
consequências da educação permissiva, vêm agora dizer que as regras têm de
existir, que conhecer limites é essencial. E dizem mais: que o equilíbrio, a
segurança e a harmonia, fundamentais no desenvolvimento de uma criança, só
se conseguem com grande amor e firmeza, no impor dessas regras e limites.
Como fazê-lo, é um dos objectivos de vários dos artigos que encontrará na
sua Saúde e Lar deste mês.
Boas férias e boa leitura!
