Reflectindo Sobre desporto...
Roma. Século VII a.C.. Túlio Hostílio governa a
cidade com mão-de-ferro. Tem, como inimiga, a cidade de Alba Longa, rival de
poder equivalente. Entre elas, laços de sangue e relações comerciais
estreitas são postos em causa pela guerra que se avizinha.
Preocupados com os efeitos de tantas mortes masculinas, os líderes de Roma e
de Alba assumem um compromisso: de Roma, seriam enviados três irmãos gémeos,
os Horácios; de Alba, seriam enviados outros três gémeos, os Curiácios.
Lutariam entre eles, em nome dos seus povos, para encontrar os mais fortes
e, logo, os vencedores da guerra. Se, de início, os três albanos mataram
dois dos romanos, o terceiro irmão Horácio, forte e inteligente, simulou uma
fuga, e, enfrentando um a um os Curiácios feridos que o perseguiam, matou os
três e venceu, em nome de Roma.
Esta história, imortalizada nas peças de Corneille e Brecht, é um símbolo,
retirada a intensidade dramática, de algumas das funções sociais do
desporto. Sem dúvida que o desporto tem uma função de catarse das tensões e
frustrações acumuladas, o que, mais do que constituir uma alienação
individual, se justifica pela necessidade de “retirar a tampa do cesto” dos
problemas sociais. Mas o desporto de competição é também um espaço útil de
gestão de conflitos, onde os grupos, as regiões e as nações se enfrentam,
através dos seus melhores, com regras de respeito e de conduta, definidas e
respeitadas. É, finalmente, o espaço onde o mais saudável e preparado, se em
igualdade de circunstâncias, tem hipótese de se sobrepor, com lealdade, ao
seu adversário.
Só que a história que contámos tem um senão. Dados os laços de sangue e de
casamento entre romanos e albanos, há uma personagem que perde o seu noivo.
Camila, irmã dos Horácios, era noiva de um Curiácio, o que a leva a
recriminar o irmão, que a mata. Uma solução pensada para minimizar o
sofrimento da guerra conduz a uma tragédia familiar e a uma tensão entre os
povos sem precedentes. Porque se ultrapassaram limites, passando à violência
gratuita e injustificada. Como tantas vezes no desporto…
Para valorizar o que o desporto tem de bom para o indivíduo e útil para a
sociedade, bem como para chamar a atenção para os malefícios dos excessos a
que pode conduzir, prezado Leitor, preparámos esta revista para si,
lembrando:
1. A importância do exercício equilibrado para uma vida saudável;
2. O papel sociológico do desporto nos nossos dias;
3. O valor do carácter na competição desportiva.
Para nós, vencer é... tê-lo do nosso lado!
