O MAL DAS COMPARAÇÕESEs
Pergunta:
Quando eu era criança, a minha mãe comparava-me com parentes da mesma idade e
com os meus colegas de escola; depreciava--me sempre, dizendo que os outros eram
melhores do que eu. Cresci com uma sensação de inferioridade e baixa
auto-estima. Porque é que o costume de comparar as crianças tem efeitos
negativos no comportamento?
José A. – Açores
Resposta: Cada pessoa é um indivíduo, com as
suas características físicas e emocionais particulares. Cada filho é, portanto,
diferente do outro quanto ao comportamento. Muitos pais não sabem lidar com
isso, querendo que eles actuem de forma parecida, ou parecida com alguém a quem
eles admiram, seja outro membro da família ou não.
Comparar é mau, sempre. Se nos comparamos com alguém, perdemos. Perdemos porque
cada pessoa é diferente da outra. Uma criança pode ser lenta em alguma coisa, e
ser inteligente noutra. Um irmão pode ser calado e pensativo e, por isso,
talvez, possa ser muito criativo, enquanto o outro pode falar muito, ser
bastante sociável e, por essa razão, agradar mais aos pais que valorizam a
comunicação social.
Esses pais podem comparar um filho com o outro, e sentirem-se melhor com o que
os gratifica mais. No caso citado, o filho mais sociável. Assim, não valorizam
as características particulares do primeiro e ainda poderão prejudicar a
formação do carácter do segundo. Isso é muito mau para ambas as crianças. Uma
pode crescer com sentimentos de inferioridade em relação às outras crianças;
outra pode sentir uma falsa superioridade.
Comparar não é positivo, não ajuda, não incentiva. Se se comparar com alguém com
quem se sente melhor, isso proporcionar--lhe-á bem-estar. Mas, numa outra
ocasião, poderá sentir-se pior por uma razão qualquer; uma característica que a
pessoa possui e que o Leitor não tem. Evite fazer comparações e deixará de
sentir que não é suficientemente bom ou inteligente.
Pelo facto de ter sido criado num ambiente em que se faziam muitas comparações
com que se sentia mal, a tendência de fazer comparações passou para dentro do
seu psiquismo, da sua mente. Agora já não é a sua mãe quem faz as comparações. É
o próprio Leitor. Pare de o fazer e verá que se sentirá melhor. Lembre-se: é um
ser humano único! Todos somos! S&L
Cézar Vasconcellos de Souza
Psiquiatra