Responde O... / Junho 2004

O MAL DAS COMPARAÇÕESEs

Pergunta:
Quando eu era criança, a minha mãe comparava-me com parentes da mesma idade e com os meus colegas de escola; depreciava--me sempre, dizendo que os outros eram melhores do que eu. Cresci com uma sensação de inferioridade e baixa auto-estima. Porque é que o costume de comparar as crianças tem efeitos negativos no comportamento?
José A. – Açores

 

Resposta:  Cada pessoa é um indivíduo, com as suas características físicas e emocionais particulares. Cada filho é, portanto, diferente do outro quanto ao comportamento. Muitos pais não sabem lidar com isso, querendo que eles actuem de forma parecida, ou parecida com alguém a quem eles admiram, seja outro membro da família ou não.
Comparar é mau, sempre. Se nos comparamos com alguém, perdemos. Perdemos porque cada pessoa é diferente da outra. Uma criança pode ser lenta em alguma coisa, e ser inteligente noutra. Um irmão pode ser calado e pensativo e, por isso, talvez, possa ser muito criativo, enquanto o outro pode falar muito, ser bastante sociável e, por essa razão, agradar mais aos pais que valorizam a comunicação social.
Esses pais podem comparar um filho com o outro, e sentirem-se melhor com o que os gratifica mais. No caso citado, o filho mais sociável. Assim, não valorizam as características particulares do primeiro e ainda poderão prejudicar a formação do carácter do segundo. Isso é muito mau para ambas as crianças. Uma pode crescer com sentimentos de inferioridade em relação às outras crianças; outra pode sentir uma falsa superioridade.
Comparar não é positivo, não ajuda, não incentiva. Se se comparar com alguém com quem se sente melhor, isso proporcionar--lhe-á bem-estar. Mas, numa outra ocasião, poderá sentir-se pior por uma razão qualquer; uma característica que a pessoa possui e que o Leitor não tem. Evite fazer comparações e deixará de sentir que não é suficientemente bom ou inteligente.
Pelo facto de ter sido criado num ambiente em que se faziam muitas comparações com que se sentia mal, a tendência de fazer comparações passou para dentro do seu psiquismo, da sua mente. Agora já não é a sua mãe quem faz as comparações. É o próprio Leitor. Pare de o fazer e verá que se sentirá melhor. Lembre-se: é um ser humano único! Todos somos! S&L
 


Cézar Vasconcellos de Souza
Psiquiatra
 

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