Fitologia / Junho 2004

NOME EM LATIM: Laurus nobilis L.
FAMÍLIA: Lauráceas
OUTROS NOMES: Loureiro-comum, loureiro-de-apolo, loureiro-dos-poetas, loureiro-vulgar, louro, sempre-verde.

HABITAT: Originário dos países mediterrâneos. Cria-se em algumas regiões próximas do litoral, de clima temperado. Cultivado e naturalizado no continente americano.

DESCRIÇÃO: Árvore de folha perene, que pode medir de 2 a 8 m de altura. As folhas são lanceoladas, coriáceas, brilhantes pela face superior e baças pela inferior. As flores são pequenas, de cor branca ou amarelada. Os frutos são dupras semelhantes às azeitonas, produzidas unicamente pelos loureiros fêmeas.

REFERÊNCIAS HISTÓRICAS:
– Corre! Traz-me uma coroa de louros! – ordena Tibério César ao seu servo.
– Sim, meu senhor. Levo-a imediatamente – responde submisso.
– Não vês que se aproxima uma tempestade? Preciso de protecção do loureiro – diz o imperador romano, com certa ansiedade.
Antes de terem começado a soar os trovões, Tibério César já havia posto na cabeça uns ramos de loureiro entrelaçados. É que, segundo uma tradição romana, o loureiro nunca pode ser sacudido pelos raios e, portanto, quem se colocar debaixo das suas folhas encontra-se a salvo dos flagelos da natureza.
O loureiro era consagrado ao deus Apolo, patrono dos triunfos, das belas artes e da medicina, e arquétipo da beleza masculina. Os imperadores romanos, os atletas e os guerreiros vencedores eram coroados com uma coroa de louros, que se supunha protegê-los dos raios e de outras forças malignas. Não parece que tal coroa tenha servido de muito aos “laureados” romanos, que poucos séculos depois vieram a sucumbir às mãos dos bárbaros, outro flagelo semelhante ao raio.
Adverso às superstições relacionadas com as plantas, o famoso médico espanhol Andrés de Laguna conta que, estando ele mesmo em Roma pelo ano de 1539, «caiu um impetuoso raio no palácio do duque de Castro, e atingiu um formosíssimo loureiro que ainda hoje se vê ferido e despedaçado». E conclui dizendo: «Não há casa tão forte, nem se encontra coisa tão eficaz, que chegue para nos defender dos juízos de Deus».

O louro é um condimento indispensável na cozinha mediterrânea. E o óleo ou o bálsamo de folhas de louro, é um anti-reumático e anti-inflamatório de grande eficácia.



PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: As folhas do loureiro são ricas num óleo essencial volátil, composto em 45% por cineol; contêm também tanino e um princípio amargo. Os frutos contêm ainda 25% de matérias gordas formadas pelos ácidos láurico, oleico, palmítico e linoleico. O princípio activo responsável pelos efeitos medicinais do loureiro é o seu óleo essencial. Vejamos as propriedades do loureiro:
● Aperitivo, eupéptico (facilita a digestão) e carminativo (elimina os gases do tubo digestivo). É portanto útil aos inapetentes (que têm fastio) e aos que sofram de digestões difíceis ou pesadas (1).
● Suavemente diurético (1).
● Emenagogo (estimula a menstruação) e regulador do ciclo menstrual (1).
● Anti-reumático e anti-inflamatório muito eficaz, aplicado externamente. O óleo de loureiro (2) ou o bálsamo (3) anti-reumático que se prepara com as suas folhas, utilizam-se em fricções para aliviar os torcicolos, lombalgias ciáticas, entorses dos tornozelos e outras dores osteomusculares (de ossos e músculos).
 

O louro-cerejo ou loureiro-cerejeira, é uma árvore da família das Rosáceas, que produz umas bagas negras semelhantes às cerejas. As suas folhas, que cheiram a amêndoas amargas, contêm glicósidos cianogenéticos que libertam ácido cianídrico, substância esta muito tóxica. No entanto, por destilação dessas folhas, obtém-se a água de louro--cerejo, que tem propriedades medicinais e se emprega como antiemético (contra vómitos), sedativo e antiespamódico.


PARTES UTILIZADAS:
As folhas e os frutos.


USO INTERNO
1 Infusão: Com um litro de água, prepara-se uma infusão com 20-30 g de folhas de louro, a que se pode acrescentar um punhado de frutos maduros para conseguir maior efeito. Como aperitivo, toma-se uma chávena dez minutos antes de cada refeição, e, como digestivo, uma chávena depois de cada refeição.

USO EXTERNO
2 Óleo de loureiro: Prepara-se deixando macerar durante 10 dias, ao sol, 30 g de folhas de louro num litro de azeite. Aplica-se em loção sobre a parte dorida. Também serve para afugentar insectos parasitas.
3 Bálsamo anti-reumático (manteiga de loureiro): Esmagar num almofariz um bom punhado de bagas de loureiro maduras. Pô-las a ferver, cobertas de água, durante 5-10 minutos. Espremê-las depois com um pano fino, deixar arrefecer o líquido e recolher a camada de gordura que flutua. Esta gordura ou manteiga de loureiro aplica-se em fricções sobre a zona afectada. Não é própria para ser ingerida.

Índice / Junho 2004