Informação / Maio 2004

A S&L... Leu Por Si:  A Doença da Saúde

Escrito de modo simples e acessível a todos aqueles que se interessam pelos problemas relacionados com a saúde, “A Doença da Saúde”, do Professor Doutor Manuel J. Antunes, é uma obra de actualidade.
Numa altura em que a complexidade de alguns problemas de saúde teimam em persistir, a despeito dos esforços desenvolvidos na sua resolução – nomeadamente a questão das listas de espera, que aparece em segundo lugar na lista das preocupações dos portugueses na sondagem realizada em Portugal em Março de 2004, logo a seguir ao desemprego – esta obra ajuda-nos a perceber a complexidade dos meandros da “doença” que afecta a saúde. É por isso uma obra incontornável que merece destaque no tempo que corre.


As Surpresas do Cérebro

Michael May era uma criança de 3 anos quando perdeu a visão numa explosão com químicos com os quais brincava. A partir daí, a única coisa que ele podia distinguir era o dia da noite, até que foi realizada uma operação inovadora pela equipa da Dra. Ione Fine, da Universidade da Califórnia do Sul. A Dra. Ione Fine é uma das investigadoras que acompanha este caso (que faz parte dos 49 casos de sucesso em todo o mundo) e cujos resultados são apresentados no Nature Neuroscience. Células embrionárias estaminais foram transplantadas para a superfície ocular do seu olho direito, tornando o transplante da córnea possível, pois o seu olho esquerdo permanecia demasiado danificado para poder ser recuperado. Logo após a operação, o sucesso desta experiência foi notório pois, pouco a pouco, May começou a recuperar a sua visão. Casado e pai de dois filhos, pôde apreciar, pela primeira vez, os olhos azuis da sua mulher e a cor dourada do seu cabelo. No entanto, esta recuperação levantou novas questões aos cientistas. Se anteriormente May podia esquiar sem problemas de maior, agora a paisagem em três dimensões, as sombras que passam por serem objectos tão reais como aqueles que elas representam, constituem novas dificuldades às quais Michael May não estava habituado. Por outro lado, com este caso abrem-se novas perspectivas para muitas outras intervenções, bem como do conhecimento do desenvolvimento de certas zonas do cérebro que têm a idade biológica para serem devidamente estimuladas.


Pode Ser Mais grave Consumir Cocaína em Portugal

Sabia-se que a utilização de cocaína pode levar à morte. No entanto, o estudo de C.G. Crandall, W. Vongpatanasin, e R.G. Victor, publicado nos Annals of Internal Medicine, revela que, em ambientes quentes ou países de temperaturas mais elevadas (como pode ser considerado Portugal no contexto europeu), o risco de morte é superior ao que é verificado em meios ambientes nos quais a temperatura é mais baixa. O organismo controla o aumento da temperatura corporal provocado pelo consumo de cocaína de dois modos: por métodos comportamentais (como a não permanência em espaços aquecidos ou quentes), ou fisiológicos (como a transpiração e aumento da pressão sanguínea nos vasos junto da camada superior da pele.)


Perigos do Tabagismo Passivo

Segundo um estudo recentemente publicado no prestigiado jornal médico JAMA, o tabagismo passivo, mesmo ligeiro, é perigoso para as artérias.
Os médicos japoneses da Faculdade de Medicina de Osaka, que realizaram o estudo, constataram que uma simples exposição de uma meia-hora ao fumo dos cigarros provoca um mau funcionamento das células endoteliais que forram o coração e os vasos sanguíneos e que asseguram a vaso-dilatação e o normal fluxo sanguíneo.
Estes dados revelam que o tabagismo passivo temporário reduz o fluxo sanguíneo dos não fumadores, não afectando neste caso os fumadores activos. Segundo os autores do estudo, isto é a prova do efeito nocivo do tabagismo passivo na circulação do sangue, também entre os não fumadores. O mau funcionamento das células endoteliais é um sinal precursor da aterosclerose.
Segundo a Associação Americana do Coração, as pessoas expostas ao tabagismo passivo têm mais 30% de risco de morrerem de doenças cardiovasculares do que as que vivem num ambiente sem tabaco. Daí a importância do cumprimento das leis anti-tabágicas já existentes, nomeadamente a que proíbe o uso do tabaco em locais públicos fechados (repartições, bancos, etc).
Num inquérito feito a jovens pelo Conselho de Prevenção do Tabagismo, envolvendo 1154 entrevistas, 82 por cento considera que estão expostos ao fumo passivo e 74 por cento preocupam-se com esse facto. Ouvidos os pais pelos próprios jovens, a grande maioria dos pais (88,8%) reconhece que o fumo passivo prejudica muito a saúde, mas a maioria dos que fumam (58,2%) tem pouco ou nenhum cuidado com os outros, incluindo os próprios filhos!
* JAMA/ ( Journal of de American Medical Association)/DN /SL


A Opção Saudável de Um Grupo Religioso

Numa edição recente da Universidade de Oxford, da Inglaterra, o Dr.Gary Fraser, professor na Escola de Medicina da Universidade de Loma Linda, na Califórnia, publicou o resultado de quatro décadas de estudo sobre a saúde dos Adventistas do Sétimo Dia. (Regime Alimentar, Esperança de Vida e Doenças Crónicas: estudos sobre a saúde dos Adventistas do Sétimo Dia e outros vegetarianos).
A maior parte dos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia abstém-se do uso do álcool, tabaco e outras drogas e muitos são parcial ou totalmente vegetarianos. Nesta obra, o Dr. Fraser demonstra que os adventistas têm uma melhor saúde que o conjunto de toda a população americana. Entre os adventistas estudados na Califórnia, a taxa de incidência de doenças cardíacas é cerca de metade e a do cancro inferior em 30% à do conjunto da população.
No que se refere à esperança de vida, o facto de consumirem regularmente frutos oleaginosos, serem preferencialmente vegetarianos e não terem peso a mais aumentava-lhes dois anos de vida.
No que se refere ao cancro, o consumo de frutos e de leguminosas, surgiu como um factor preventivo de certos cancros, nomeadamente o do cólon e o do fígado, ligados ao consumo de carne. De igual forma, o consumo regular, por este grupo de pessoas, da soja e seus derivados pode estar ligado a uma diminuição da incidência de cancros da próstata e da mama nesta comunidade.
Estes estudos reforçam a ideia de que o estilo de vida faz uma grande diferença na qualidade e duração da mesma.
* ANN/ SL

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