Saúde / Maio 2004

SAÚDE

1. Deixar de fumar: O tabaco incrementa enormemente o risco de sofrer ataques cardíacos (fatais ou não), tanto no homem como na mulher. Também aumenta o risco de sofrer de um segundo ataque entre os sobreviventes. As mulheres que fumam e tomam anticoncepcionais orais têm um risco maior. A exposição regular como fumador passivo no trabalho ou na família duplica as probabilidades de desenvolver doenças do coração. Até a exposição ocasional aumenta em 58% o risco de contrair doenças cardiovasculares.
 

Dois estudos publicados em Fevereiro de 2000 pela prestigiada revista médica The Lancet e outro em JAMA, da American Medical Association, assinalam seis factores concretos de risco e as correspondentes medidas terapêuticas para os enfrentar. Por um lado, as pessoas que não fumavam nem sofriam de hipertensão, que tinham um peso adequado e um nível correcto de colesterol, mostravam uma propensão menor de sofrer de doenças cardíacas e, no dos que contraíram esse transtorno, um risco menor de falecimento.
Os investigadores estimam que um de cada dois homens e uma de cada três mulheres com menos de 40 anos de idade desenvolvem doenças coronárias. Inclusivamente, depois dos setenta anos, um de cada três homens e uma de cada quatro mulheres contraem doenças cardíacas ou coronárias nos anos que lhe restam de vida. Este estudo demonstra porque é muito importante, para os adultos de todas as idades, evitar as doenças cardíacas.
 

 

As boas notícias são que deixar de fumar reduz o risco de um ataque cardíaco. Um ano após ter abandonado esse hábito, o risco diminui para metade e vai desaparecendo gradualmente até alcançar o nível normal. Um esclarecimento: entre as pessoas que já padecem de doenças cardiovasculares, o risco diminui, mas nunca volta aos valores normais.
2. Controlar a pressão arterial. A tensão sanguínea alta (hipertensão) faz com que o coração trabalhe esforçadamente. Isto aumenta o risco de desenvolver doenças cardíacas, bem como patologias renais ou uma paragem cerebral.
3. Controlar o nível do colesterol. Os altos níveis do colesterol no sangue aumentam em grande medida o risco de contrair doenças cardíacas. Quanto maior for a quantidade de colesterol no sangue, maior será o risco de um ataque cardíaco.
4. Manter um peso saudável. Ter excesso de peso aumenta o risco de desenvolver níveis elevados de colesterol no sangue, hipertensão e diabetes
(outros factores que aumentam as probabilidades de sofrer um ataque cardíaco). Até uma pequena perda de peso (10% do peso actual) pode ajudar a diminuir o risco de desenvolvimento destas doenças.
5. Praticar exercício físico todos os dias. Ser fisicamente activo reduz o risco de contrair doenças cardíacas. A actividade física pode ajudar a controlar o nível do colesterol, a hipertensão, a diabetes e o peso corporal.
6. Controlar a diabetes. A diabetes Mellitus danifica as veias, bem como as artérias coronárias. Mais de 75% dos que padecem de diabetes contraem doenças cardiovasculares. De acordo com uma investigação, uma perda de 7% do peso corporal e 150 minutos de actividade física por semana, reduzem as probabilidades de contrair diabetes em 58%.

Se quer ter um coração saudável, não se esqueça de incorporar estes conselhos e os que aparecem nesta revista no seu estilo de vida. Pode viver mais e melhor junto dos seus entes queridos.


TESTE DE RISCO - veja as suas possibilidades de sofrer um enfarte


Tabaco
0 pontos Nunca fumou
1 ponto Ex-fumador, fumador de charuto ou
cachimbo (sem inalar)
2 pontos Menos de 10 cigarros por dia
8 pontos 10 a 20 cigarros por dia

Sexo e idade
0 pontos Homem de 20-30 anos; mulher de
até 55 anos
1 ponto Homem de 31-40 anos
2 pontos Homem de 41-50 anos; mulher de
mais de 55 anos
3 pontos Homem de 46-50 anos; mulher
sem ovários
5 pontos Homem de 51-60 anos; mulher cuja(o)
irmã(o) tenha sofrido um enfarte
6 pontos Homem de 60 anos ou mais; mulher
diabética

Peso
0 pontos 5 kg abaixo do peso normal
1 ponto Peso normal
2 pontos 5-10 kg acima do peso normal
3 pontos 11-19 kg acima do peso normal
7 pontos 20-25 kg acima do peso normal
8 pontos 25 kg ou mais acima do peso normal

Actividade física
0 pontos Trabalho físico e/ou actividade
desportiva intensa
1 ponto Trabalho físico e/ou actividade
desportiva moderada
2 pontos Trabalho físico e/ou actividade
desportiva ligeira
3 pontos Trabalho sedentário e/ou actividade
desportiva moderada
4 pontos Trabalho sedentário e/ou pouca
actividade desportiva
6 pontos Inactividade física
Antecedentes familiares
0 pontos Ausentes
1 ponto Pai ou mãe de mais de 60 anos que tenha sofrido de doença coronária
2 pontos Pai e mãe de mais de 60 anos que
tenham sofrido de doença coronária
3 pontos Pai ou mãe de menos de 60 anos que
tenha sofrido de doença coronária
7 pontos Pai e mãe de menos de 60 anos que
tenham sofrido de doença coronária
8 pontos Pai, mãe e tios de ambas as partes de
menos de 60 anos que tenham
sofrido de doença coronária

Pressão arterial máxima
0 pontos 110-119 mmHg
1 ponto 120-130 mmHg
2 pontos 131-140 mmHg
3 pontos 141-160 mmHg
9 pontos 161-180 mmHg
10 pontos 180 mmHg ou mais

Glicémia
0 pontos Em jejum, glicémia abaixo de
80 mg/100 ml
1 ponto Diabéticos na família
2 pontos Em jejum, acima de 100 mg/100 ml.
Na primeira hora da manhã, depois
da primeira amostra, acima de
160 mg/100 ml.
5 pontos Em jejum, acima de 120 mg/100 ml.
Na primeira hora da manhã, depois
da primeira amostra, acima de
160 mg/100 ml.
6 pontos Diabetes controlada por meio de
tratamento
10 pontos Diabetes não controlada

Colesterol total
0 pontos Menos de 180
1 ponto 181-200 mg/100 ml
2 pontos 201-220 mg/100 ml
7 pontos 221-249 mg/100 ml
9 pontos 250-280 mg/100 ml
10 pontos 281-300 mg/100 ml

Some os pontos e compare:
Entre 0 e 7 pontos: sem risco. Entre 8 e 16 pontos: risco potencial. Entre 17 e 39 pontos: risco moderado. Entre 40 e 58 pontos: risco elevado. Entre 59 e 66 pontos: franja de perigo. 67 pontos ou mais: perigo máximo.

FONTE: Instituto del Corazón, Espanha

Carlos Martínez
Cardiologista

Índice / Maio 2004