PÁGINA JOVEM
Não deixes para amanhã!
Vives no país do amanhã? Não aquele que seria um país moderno e vanguardista,
mas o de “é melhor fazer isto amanhã”? O mais provável é que sim, não é? A
verdade é que muitos de nós temos o costume de protelar as tarefas pendentes; é
como se dividíssemos as nossas obrigações em duas partes: certas tarefas básicas
ou urgentes que realizamos, e outras que, talvez por serem aborrecidas, deixamos
eternamente adiadas ou incompletas. E o pior é quando não damos atenção à
realização das coisas importantes; então, sim, estamos com problemas.
Há certas ideias que, na realidade, são mitos, como a de que “o trabalho é
desagradável por natureza”, ou “trabalha-se melhor sob pressão” e a famosa “lei
do menor esforço”, que se nos metem na cabeça e que fazem com que deixemos tudo
para amanhã; o mal é quando o amanhã nunca chega.
Porque o fazemos?
* Para escapar de uma tarefa pesada. Ao enchermos o presente de trivialidades,
podemos escapar de fazer algo que, embora saibamos da sua importância, nos
parece demasiado imponente para o abordarmos.
* Para evitar um trabalho desagradável. Entre a opção de fazer algo agradável em
vez de uma tarefa que nos desagrada, geralmente escolhemos a primeira.
* Para nos desculparmos pela baixa qualidade do nosso trabalho. Pensamos: “não o
pude fazer até ao último minuto; se tivesse tido mais tempo, teria feito
melhor”.
* Para que outra pessoa faça o esforço. Não há nada de mal em partilhar tarefas,
mas existem maneiras mais directas de o fazer do que adiar o cumprimento das
nossas responsabilidades para que outra pessoa as tome.
Sugestões para ganhar impulso
A lei da inércia pode aplicar-se às pessoas e aos objectos. Um corpo (humano ou
de qualquer tipo) em repouso, tende a permanecer em repouso; um corpo em
movimento mantém-se em movimento.
Quando adias, estás em repouso, e a parte mais difícil é começar. Se gerares um
impulso, a tarefa está a caminho de se realizar.
As seguintes ideias ajudar-te-ão a ganhar o ímpeto e não te deixares seduzir
pelo adiamento.
1. Reconhece e aceita a inutilidade da protelação como forma de vida. Ao
deixares tudo para amanhã, tornas-te vítima de uma tensão emocional inútil.
Enquanto permitires que vivas uma vida de tardanças e passividade, convidas a
viver contigo a frustração, a fadiga e o aborrecimento. Claro que, em certas
alturas, é duro levantares-te e atacares as tarefas difíceis, mas a alternativa
é pior.
2. Divide as tarefas aborrecidas em tarefas mais pequenas. Imagina que a
professora de literatura deu, como trabalho para casa, ler A Ilíada de Homero e,
além disso, fazer um trabalho sobre o livro. “Nada fácil,” pensarás e é bem
natural que acrescentes que será muito aborrecido; e se, a isso, acrescentares o
facto da professora ter dado apenas o prazo de três semanas, talvez penses que
te será impossível terminar o trabalho. Bem, pois em casos como este, o melhor é
dividir, o que tens a fazer, em pequenos períodos de dez ou quinze minutos. Quer
dizer, não pretendas dedicar horas inteiras à leitura, porque o mais provável é
que não o faças; é melhor propores períodos curtos e começares de imediato.
Quando tiveres outros dez ou quinze minutos livres, continua e assim
sucessivamente. Uma vez que comeces, obterás o impulso necessário para acabares
o trabalho. Lembra-te que o trabalho mais desagradável não desaparece se for
ignorado; só piora.
3. Realiza um trabalho de arranque. Por vezes, um pouco de exercício físico
espontâneo é tudo o que necessitarás para te animar a começares uma tarefa
importante; outras vezes, um trabalho inicial dá-nos o ímpeto necessário. Por
exemplo, se tens que fazer um trabalho sobre algum tema de biologia, e tu sabes
que é longo e maçador, pega numa folha de papel e escreve os pontos que desejas
incluir e a ordem em que os vais apresentar, mas fá-lo agora! Ou se tiveres
estado a adiar a resposta a uma carta, pega num envelope e escreve a direcção,
neste instante.
4. Aproveita o teu estado de ânimo. Quantas vezes já disseste “não estou com
disposição para o fazer”? Talvez não desejes escrever um trabalho, mas apenas
ler a informação de que necessitas; é melhor que só o leias agora, e escrevas
noutra altura, do que não fazer nada.
5. Faz uma lista de tudo o que de bom poderá acontecer se terminares o trabalho
que tens evitado. E depois faz outra das coisas negativas que resultarão de não
o fazeres. É provável que chegues à conclusão que a acção é melhor do que a
inacção.
6. Faz um compromisso ou uma aposta com alguém. Diz à tua mãe ou a um(a)
amigo(a) que o(a) convidarás para comerem qualquer coisa se não entregares o teu
trabalho a tempo. Deve existir sempre um incentivo para o caso de tu ganhares,
tal como um castigo, se perderes.
7. Dá um prémio a ti próprio. Procura algo importante que tenhas estado a evitar
e decide qual será a tua recompensa se o conseguires. Procura que o prémio se
equipare com o tamanho da tarefa.
8. Volta ao tradicional. Podes impor-te datas limites, evitar comprometer-te com
demasiadas coisas, estabelecer horários realistas. Embora seja o mais comum,
para muitos, funciona.
9. Decide-te a fazer que cada dia conte. A vida é demasiado curta para ser
desperdiçada. Antes de te levantares, decide fazer duas coisas: desfruta o dia
de hoje e faz algo por um amanhã melhor. Vive cada dia como se fosse um tesouro
e terás dado um grande passo contra o hábito de preterir. Sê decisivo e tem
coragem para actuar.
10. Não faças nada. Quando notares que estás a evitar uma tarefa importante,
senta-te numa cadeira e observa quanto tempo podes passar sem fazer
absolutamente nada. Na melhor das hipóteses, em questão de minutos estarás
ansioso por te mexeres. Quando já não aguentares a inactividade, decide-te a
começar o trabalho que tens estado a evitar.
11. Faz perguntas a ti próprio. Qual é o melhor uso do meu tempo e energia neste
momento? Qual é o maior problema que encaro e o que é que vou fazer a esse
respeito no dia de hoje? Lembra-te que o dia de hoje é tudo o que temos. O
passado é só história, e o amanhã apenas uma visão; não podemos dar-nos ao luxo
de desperdiçar o presente.
Luz María Aguilera V.
Analista de sistemas com ampla experiência em
trabalhos com crianças e adolescentes