FILOSOFIA DE VIDA
A família, uma ajuda eficaz
Actualmente, ninguém duvida da influência da família nas doenças crónicas,
como a insuficiência renal, a diabetes, as doenças cardiovasculares, etc., em
áreas muito diversas.
Um dos factores promotores deste tipo de doenças é a hereditariedade. À margem
das cardiopatias congénitas, cuja origem genética é evidente, o facto de ter
familiares directos que sofram ou tenham sofrido do coração confere ao indivíduo
certa predisposição para elas.
Por outro lado, a família é a fonte principal de crenças e pautas de
comportamento relacionadas com a saúde. Adquirem-se os costumes familiares a
respeito da alimentação, que podem favorecer ou prevenir o aparecimento de
doenças; a atitude da mesma perante o tabaco: é mais fácil ser fumador num
ambiente de fumadores; e as actividades recreativas.
Não podemos evitar a profunda relação que existe entre o corpo e a mente. A
estabilidade emocional que produz o apoio familiar ao doente aliviá-lo-á e
confortá-lo-á; necessita de apoio humano, psicológico e espiritual para superar
o desalento em que se pode encontrar. Ofereça a sua ajuda em coisas práticas;
não serve de muito dizer “apoio-te no que necessitares”, é melhor encarregar-se
de levar o seu familiar ao médico, fazer as compras, procurar informações,
limpar a casa, etc..
Não é apenas uma pessoa a padecer da doença, esta afecta toda a família e há que
lutar juntos; mas sem esquecer que uma família é composta de vários membros e
que todos, incluindo o Leitor, são a principal protecção para o enfermo e, em
muitas ocasiões, um exemplo de carinho e solidariedade. Portanto, cuide também
do bem--estar do resto da sua família e de si próprio. Desfrute de cada momento
que a vida lhe oferecer, de cada acto de entrega, de cada sorriso dos que o
amam. Procure sempre o lado bom das coisas.S&L
Raquel Carmona
Redactora da nossa congénere
‘Salud 4’
Aulas práticas para os familiares.
Todo o ser humano necessita de calor, amor e compreensão na relação familiar, sobretudo quando a sua saúde está em jogo. Quem convive com doentes, especialmente os crónicos, talvez encontre utilidade nos conselhos que, ainda que específicos para os cardíacos, podem ser válidos para outras doenças.
- Uma INFORMAÇÃO cabal sobre a doença de que padece o seu familiar
(proporcionada pelo médico) é fundamental. Em certas ocasiões, o desconhecimento
propicia atitudes erradas.
- É necessária uma CORRECTA ADMINISTRAÇÃO dos medicamentos. Para isso há que
seguir estritamente as indicações do médico. A automedicação, a falta de rigor
na sua administração e o seu abandono podem ter consequências fatais.
- Reconhecer os SINTOMAS PRÉVIOS de uma crise pode, inclusivamente, evitá-la.
- A COMUNICAÇÃO com o doente deve desenvolver-se como com qualquer outro membro
da família; só há que evitar os temas que o possam alterar e, claro, as
discussões.
- Não é bom incomodá-lo; como todo o ser humano, necessita dos seus momentos de
INTIMIDADE.
- Ajude-o a modificar e/ou abandonar os HÁBITOS PREJUDICIAIS para a sua saúde.
- O tipo de lesão de que sofra ditará o seu nível de actividade. Deve permitir
e, inclusivamente, incentivar a que COLABORE em tudo aquilo que possa, sem se
sobrecarregar.
- O doente, salvo em casos muito concretos, é capaz de ser independente. Não o
superproteja.
- A PACIÊNCIA, a CONSTÂNCIA e, sobretudo, manter a ESPERANÇA podem fazer
milagres.