Filosofia de Vida / Maio 2004

FILOSOFIA DE VIDA
A família, uma ajuda eficaz

Actualmente, ninguém duvida da influência da família nas doenças crónicas, como a insuficiência renal, a diabetes, as doenças cardiovasculares, etc., em áreas muito diversas.
Um dos factores promotores deste tipo de doenças é a hereditariedade. À margem das cardiopatias congénitas, cuja origem genética é evidente, o facto de ter familiares directos que sofram ou tenham sofrido do coração confere ao indivíduo certa predisposição para elas.
Por outro lado, a família é a fonte principal de crenças e pautas de comportamento relacionadas com a saúde. Adquirem-se os costumes familiares a respeito da alimentação, que podem favorecer ou prevenir o aparecimento de doenças; a atitude da mesma perante o tabaco: é mais fácil ser fumador num ambiente de fumadores; e as actividades recreativas.
Não podemos evitar a profunda relação que existe entre o corpo e a mente. A estabilidade emocional que produz o apoio familiar ao doente aliviá-lo-á e confortá-lo-á; necessita de apoio humano, psicológico e espiritual para superar o desalento em que se pode encontrar. Ofereça a sua ajuda em coisas práticas; não serve de muito dizer “apoio-te no que necessitares”, é melhor encarregar-se de levar o seu familiar ao médico, fazer as compras, procurar informações, limpar a casa, etc..
Não é apenas uma pessoa a padecer da doença, esta afecta toda a família e há que lutar juntos; mas sem esquecer que uma família é composta de vários membros e que todos, incluindo o Leitor, são a principal protecção para o enfermo e, em muitas ocasiões, um exemplo de carinho e solidariedade. Portanto, cuide também do bem--estar do resto da sua família e de si próprio. Desfrute de cada momento que a vida lhe oferecer, de cada acto de entrega, de cada sorriso dos que o amam. Procure sempre o lado bom das coisas.S&L
 

Raquel Carmona
Redactora da nossa congénere
‘Salud 4’

Aulas práticas para os familiares.

 

Todo o ser humano necessita de calor, amor e compreensão na relação familiar, sobretudo quando a sua saúde está em jogo. Quem convive com doentes, especialmente os crónicos, talvez encontre utilidade nos conselhos que, ainda que específicos para os cardíacos, podem ser válidos para outras doenças.

 

- Uma INFORMAÇÃO cabal sobre a doença de que padece o seu familiar (proporcionada pelo médico) é fundamental. Em certas ocasiões, o desconhecimento propicia atitudes erradas.
- É necessária uma CORRECTA ADMINISTRAÇÃO dos medicamentos. Para isso há que seguir estritamente as indicações do médico. A automedicação, a falta de rigor na sua administração e o seu abandono podem ter consequências fatais.
- Reconhecer os SINTOMAS PRÉVIOS de uma crise pode, inclusivamente, evitá-la.
- A COMUNICAÇÃO com o doente deve desenvolver-se como com qualquer outro membro da família; só há que evitar os temas que o possam alterar e, claro, as discussões.
- Não é bom incomodá-lo; como todo o ser humano, necessita dos seus momentos de INTIMIDADE.
- Ajude-o a modificar e/ou abandonar os HÁBITOS PREJUDICIAIS para a sua saúde.
- O tipo de lesão de que sofra ditará o seu nível de actividade. Deve permitir e, inclusivamente, incentivar a que COLABORE em tudo aquilo que possa, sem se sobrecarregar.
- O doente, salvo em casos muito concretos, é capaz de ser independente. Não o superproteja.
- A PACIÊNCIA, a CONSTÂNCIA e, sobretudo, manter a ESPERANÇA podem fazer milagres.

Índice / Maio 2004