A S&L... LEU Por Si: “Um Passeio ao Outro Lado da Noite”
Ao abrigo dos Programas Saúde XXI e Feder, José
Carlos Fernandes produziu um interessante livro de banda desenhada intitulado
“Um Passeio ao Outro Lado da Noite”. Através de 56 páginas cheias de cor e
dedicadas aos jovens, a imagem predomina numa mensagem que visa levar ao não
consumo de bebidas alcoólicas nas crianças e adolescentes. No final dessas
páginas, um “glossário” ajuda os jovens a perceber do que se está a falar quando
a temática do álcool está presente. Os PLA (problemas ligados ao álcool) são
cada vez mais uma faceta das faixas etárias mais baixas e, por isso, esta
iniciativa apoiada pelo Centro Regional de Alcoologia do Centro Maria Lucília
Mercês de Mello merece toda a divulgação pelas camadas mais jovens de Portugal.
Para mais informações consulte em
www.crac.min-saude.pt ou através do tel.
239793710 os produtores deste trabalho.
“O aumento da esperança média de vida em Portugal,
ainda que seja um dado positivo, pode trazer algumas consequências, cujo ‘preço’
a pagar será muito alto, dado que a mortalidade causada por doenças somáticas e
psiquiátricas resultante do aumento da longevidade vai aumentar
substancialmente”. Esta afirmação foi proferida pelo Dr. Manuel Paes de Sousa,
Presidente da Associação Portuguesa de Psiquiatria Biológica, num simpósio
recentemente realizado em Lisboa.
De acordo com o especialista, a população idosa sofre cada vez mais de doenças
do foro psiquiátrico, nomeadamente depressão, ansiedade e demência, com
particular incidência nas doenças neurodegenerativas, como a doença de
Alzheimer. Prevê-se que esta, nomeadamente, venha a afectar, em 2010, cerca de
17,6% da população de idosos, o que representa um aumento de 9,6% em relação a
1960.
O acentuado consumo de álcool entre a população idosa, sobretudo nos meios
rurais, é um dos factores que contribuem para o aumento destas patologias,
agravando o clima de pessimismo com que muitos encaram o futuro, em termos de
Saúde Pública.
Ainda segundo o Dr. Paes de Sousa, “os doentes que sofrem de demência continuam
a aumentar a um ritmo preocupante nas regiões suburbanas, atingindo 65% dos
doentes internados”. Destes, 61% sofrem de depressão e 55,7% apresentam sinais
de irritabilidade e stresse. Dado que nem todos os doentes podem ser internados
em unidades de saúde, os que ficam em suas casas “fazem aumentar os índices de
ansiedade nos seus familiares, face à impotência para resolver as situações”.
A prevenção destas situações passa, antes que se inicie o envelhecimento, pela
adopção de estilos de vida correctos, associada a um acompanhamento médico que
possa minimizar os factores de risco destas patologias.
* Tempo Medicina/ SL
A frequência de participação em serviços religiosos
pode ser benéfica para os idosos, concluíram investigadores do Centro Médico da
Universidade de Duke, nos Estados Unidos, após um estudo que envolveu quatro mil
pessoas na Carolina do Norte. Segundo a equipa de especialistas que fez o
estudo, os idosos que iam todas as semanas à igreja tinham 46 por cento menos de
probabilidades de morrer num período de 6 anos do que as pessoas com reduzida ou
nula frequência. De igual forma, os participantes regulares em serviços
religiosos tinham 28 por cento menos de probabilidade de morrer que outras
pessoas consideradas no estudo.
Estes benefícios da participação dos idosos em serviços religiosos são
significativos, mesmo tendo em conta o facto de que as pessoas religiosas têm
tendência para cuidar mais da sua saúde e beneficiarem, normalmente, de maior
apoio social.
Este estudo confirma outros trabalhos anteriores que demonstram que as pessoas
religiosas têm tensão arterial mais baixa, são menos depressivas e ansiosas,
possuem sistemas imunitários mais fortes e custam menos ao sistema de saúde
pública que outras pessoas com menor envolvimento religioso. Embora os
investigadores não consigam explicar a associação entre o comportamento
religioso e a saúde, consideram haver indícios de que a participação das
actividades da igreja trazem benefícios em termos psicossociais, biológicos e de
comportamento.
Os melhores laços sociais destas pessoas traduzem-se numa maior estabilidade e
numa maior possibilidade das doenças de que sofram serem mais rapidamente
detectadas por amigos e familiares. Por outro lado, a devoção associada aos
rituais religiosos pode directamente contribuir para o bem-estar mental e melhor
controlar os acontecimentos geradores de stresse ou as doenças no fim da vida.
Estes sentimentos positivos podem ter influência, nomeadamente, na melhoria da
função imunitária.
Por último, as pessoas que reagem melhor aos altos e baixos da vida, parecem ser
menos inclinadas a beber, a fumar e a lançar-se noutros hábitos destruidores da
saúde.
* DN/SL
Rinite Alérgica na Criança: Pouco Valorizada Pelos Pais
Quase sempre confundida com uma constipação, a
rinite alérgica na criança é uma situação pouco valorizada pelos pais. No
entanto, pode prejudicar a qualidade de vida e, se não for tratada, pode evoluir
para a asma, como alerta a Dra. Natália Ferreira, médica especialista do Serviço
de Alergologia Pediátrica do Hospital de Santa Maria.
“As mães habituam-se a ver os filhos a coçar o nariz, a dormir de boca aberta, a
espirrar, a ter o nariz tapado (tudo sintomas da rinite) mas, como não são
queixas de gravidade, não valorizam o problema”, afirma a especialista. Só
quando as crianças começam a ter tosse, pieira e dificuldade em respirar é que
os pais se preocupam e procuram o médico.
Só este, muitas vezes, é que repara em determinados sinais próprios da criança
com rinite (olheiras fundas, um traço horizontal no meio do nariz, por estarem
sempre a coçá-lo, etc) e, então, pergunta aos pais se a criança tem dificuldade
em respirar, se dorme com a boca aberta, se espirra quando se levanta, situações
a que os pais não ligam por já estarem habituados.
Segundo dados estatísticos realizados em Portugal por um organismo internacional
especializado no estudo da asma e alergias na criança, a rinite alérgica tem uma
prevalência no nosso país de 23,8% nas crianças entre os seis e os sete anos.
Segundo a Dra. Natália Ferreira, “uma criança com rinite não tem uma vida cem
por cento normal, porque se cansa mais, respira de boca aberta e pode até sofrer
uma deformação dos próprios maxilares e uma má implantação dentária”.
Sendo a rinite uma situação crónica, (muitas crianças só experimentam algumas
melhoras no Verão), requer também um tratamento continuado. A prevenção falha
muitas vezes, quer porque nem sempre o diagnóstico é atempadamente feito, quer
porque os pais não persistem no tratamento assim que se verifica uma melhoria
dos sintomas.
A utilização de anti-histamínicos é eficaz no controlo dos sintomas, podendo no
entanto haver uma habituação ao tratamento, o que leva à necessidade de o
alterar para medicamentos mais recentes.
As estatísticas referem que 1/3 dos doentes alérgicos não se mostram satisfeitos
com o tratamento a que estão sujeitos. Isto pode dever-se ao facto do doente
querer dispor de um tratamento que lhe tire efectivamente os sintomas e que não
tenha de ser executado todos os dias, o que não pode acontecer dado que se trata
de uma doença crónica.
Como sublinha a Dra. Natália Ferreira, a rinite é uma doença complexa e
multifactorial em que há outros factores, para além da alergia, que podem
contribuir para a inflamação da mucosa do nariz. Entre estes factores, que se
acumulam e todos os dias agridem a mucosa, destacam-se a poluição (tabagismo,
passivo e activo e gases libertados pelos escapes), os cheiros activos (velas
com cheiro, desodorizantes para a casa, etc.) e as diferenças de temperatura.
Tribuna Médica Press/SL