Da casa ao prato / Março 2004

O kiwi é um fruto exótico que, vindo das encostas do Himalaia, nos reserva agradáveis surpresas. A primeira é que, por trás do pouco atraente aspecto da sua felpuda pele castanha, se esconde uma espectacular polpa verde. As mais de duzentas sementes de cor preta, moles e comestíveis, que cada fruto contém, esboçam umas pinceladas radiais que lhe dão um aspecto muito original.
Mas a surpresa mais importante que o kiwi nos reserva é a sua riqueza em vitamina C, muito superior à dos citrinos. Quase duplica o conteúdo desta vitamina na laranja e no limão e só a goiaba e a acerola o ultrapassam em vitamina C – e, mesmo assim, com apenas mais um grama por 100 g de fruto comestível. Pelo seu conteúdo em vitamina C, o kiwi torna-se um estimulante das defesas anti--infecciosas, potenciado pela presença de muitas outras vitaminas (é também muito rico em vitamina E, e contém quantidades apreciáveis de vitaminas B6, B2, niacina, B1 e A) e minerais. Por isso, torna-se muito mais eficaz que os preparados farmacêuticos. Pelo facto de ser uma fruta de Inverno, e de se conservar bastante bem durante semanas ou meses no frigorífico, o kiwi é apropriado para prevenir constipações e gripes.
O kiwi contém, ainda, folatos, considerados como mais uma vitamina, desempenhando funções imprescindíveis no organismo, como sejam a produção das células do sangue e o bom estado das defesas anti-infecciosas.
No que respeita aos minerais, é uma das frutas frescas mais ricas em minerais, especialmente potássio, magnésio e ferro. Contém bastante cobre, oligoelemento que, como a vitamina C, contribui para uma melhor absorção intestinal do ferro. Por isso, é aconselhável em casos de anemia e, nas mulheres grávidas, além das razões acima, ainda contribui para prevenir as malformações fetais do canal raquidiano, como, por exemplo, a espinha bífida.
Quanto a fibra, o kiwi excede a maioria das frutas frescas em conteúdo de fibra, o que o torna o fruto ideal para pessoas com excesso de colesterol e com arteriosclerose sendo, ainda, um laxante suave que facilita a passagem das fezes pelo tubo intestinal.
Numa experiência feita na Universidade de Pequim (China), demonstrou-se que os atletas que consomem kiwi aumentam a sua resistência à fadiga em 24% relativamente àqueles que não o consomem. Os investigadores chineses atribuem este resultado à riqueza do kiwi em vitamina C e em minerais.
 

* Adaptado do livro A Saúde pela Alimentação,
editado pela Publicadora Atlântico, S.A.

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